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Incêndio na Casa das Chaves é mais uma derrota para a história

Nádia Antunes | 09/06/2020 | 05:00

O incêndio que atingiu a Casa das Chaves da Cia Paulista de Estrada de Ferro em Jundiaí no último sábado provocou estragos irreparáveis ao patrimônio histórico do município. Localizado próximo a Estaçãozinha, também patrimônio histórico, o local ficou em ruínas e não há previsão de ser reconstruída.

O fundador e presidente da Associação de Preservação e Memória da Cia Paulista, hoje Instituto Envelhecer, Eusébio Pereira Santos, de 63 anos, lamenta o dano material e histórico. “O imóvel está em ruínas. Só ficou a estrutura de alvenaria, o resto da composição do imóvel, que era feito de madeira, nós perdemos. Assim como perdemos a nossa memória social e um pouco das histórias das pessoas que por ali passaram e trabalharam”, lamenta Santos.

Ele conta que os equipamentos consumidos pelo fogo eram as chaves que compunham a cabine. Ao serem acionadas, elas modificavam a direção da linha ferroviária. Esse trabalho era realizado pelos funcionários da estação que utilizavam a força manual para acioná-las.

O presidente comenta a importância e a referência deste local para a cidade. “A Casa das Chaves foi o primeiro modelo de tecnologia eletromecânica desenvolvida pela Companhia Paulista e representa um marco para o desenvolvimento da cidade, assim como a Estaçãozinha, que foi o primeiro modelo de estação da companhia. Infelizmente ela também passou por um incêndio em 2018 e agora está sendo passando por um processo de restauração. Temos aqui referências para a composição da história ferroviária da cidade”, diz o presidente.

Em nota, a Unidade de Gestão de Cultura (UGC) informa que, com base em sua função pela fiscalização e salvaguarda do patrimônio cultural do município, já vinha tomando as medidas necessárias acerca do bem em questão, como um pedido formal para que o proprietário e a concessionária em operação, no caso a concessionária Rumo Logística, tomassem as providências no local, além das realizações de uma reunião com seus representantes em fevereiro deste ano e uma vistoria no mês seguinte.

A unidade reforçou que registrou um Boletim de Ocorrência na ocasião do incêndio, além de notificações oficiais aos interessados, e que aguarda para os próximos dias as informações acerca das medidas pelos responsáveis pelo imóvel.

HISTÓRIA
Para Plínio Fernando Titano, hoje com 60 anos, a estação ferroviária e o Complexo Fepasa como um todo fazem parte da sua história de vida e da sua infância. Plínio conta que desde muito pequeno frequentava o local. “Quando eu era criança meu avó me levava na estação para ver os trens e acabamos fazendo amizade com os funcionários que trabalhavam lá na época, então eu passei a frequentar o local para ficar admirando os trens e o trabalho dos maquinários, para mim era uma alegria”, conta ele.

Para Titano, o incêndio é uma perda irreparável. “A perda da cabine para mim foi um choque. Eu perdi um pouco da minha história, perdi a referência do local que eu ia para reviver boas lembranças da minha infância. É uma dor muito grande”, ressalta Titano.

Para Santos, é preciso cuidar mais do patrimônio histórico da cidade. “Hoje temos a construção de uma nova sociedade, uma nova geração,mas quando perdemos estes patrimônios deixamos nossos jovens sem referência do passado”, lamenta.

A Casa de Chaves pertence ao governo federal e está localizado dentro do Complexo Fepasa, na União dos Ferroviários.


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