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Inclusão é desafio para o Transtorno do Espectro Autista

ISABELA CRISTÓFARO | 02/04/2019 | 05:00

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, lembrado hoje, pacientes e familiares falam sobre as barreiras do transtorno, como dificuldades do diagnósticos, preconceito e a inclusão escolar e no mercado de trabalho. Em Jundiaí, 174 autistas frequentam a rede municipal de ensino atualmente, em um trabalho que também envolve as famílias.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado um distúrbio neurológico que pode afetar três áreas do desenvolvimento humano como a comunicação, socialização e o padrão comportamental, seja ela restritivo e repetitivo, conforme explica a pedagoga da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, a Apae, Tatiana Massaroni Cruz, 44 anos. “O primeiro passo a ser dado quando chega o diagnóstico é estimular a criança nas áreas necessárias, seja por fonoaudiólogo para trabalhar a questão da expressão e comunicação; terapeuta ocupacional para habilidades sensoriais além do psicopedagogo e psicólogo para as questões cognitivas”, afirma.
Lavígna Berion, 9, foi diagnosticada com autismo há sete anos. A mãe, Talita, 33, acompanha a filha nas atividades que auxiliam em seu desenvolvimento. “Quando ela completou um ano percebi que não correspondia aos meus olhares enquanto amamentava e também demorou para falar. Senti que havia algo errado”, relembra. Segundo Talita, o diagnóstico da filha foi difícil. Foi necessária a avaliação de três médicos. “Eles diziam que o fato dela ser quietinha era normal. Até que o último me deu um encaminhamento para a Apae que confirmou e, hoje, posso dizer que ela evoluiu muito.”
Tatiana explica que a dificuldade em diagnosticar o autismo está justamente na observação do comportamento da criança. “Não corresponder aos olhares, se isolar ou apresentar dificuldades na fala pode ser um dos indícios”, alerta.
Lavígnia, além de se dedicar às atividades da Apae, frequenta a escola normalmente. Ela é atendida pela Rede Municipal de Ensino de Jundiaí, junto com outras 173 crianças que aprestam o TEA.
A Unidade de Gestão de Educação (UGE) oferece o suporte ao aluno e também à família por meio de um departamento específico que presta assessoria às escolas, como explica a gestora Vasti Ferrari Marques. “As crianças são atendidas em classes comuns e nas salas de aula há um professor de apoio, conforme previsto por lei, que atua junto com o professor auxiliando no que for preciso”, diz. “Nós a recepcionamos e a integramos em todas as atividades realizadas”, complementa. Na Emeb Ranieri Mazzilli, são atendidos dois alunos. A professora Neide de Carvalho afirma que o processo de inclusão começa antes mesmo das aulas, e que o trabalho também envolve a família do aluno.
Dos 96 atendidos pela Apae atualmente, 41 frequentam a rede municipal de ensino e 19 estão inseridos na rede estadual e escolas privadas.
No entanto, a questão da inclusão não está apenas na escola, mas também no mercado de trabalho. Essa é a opinião da médica Ingrid Ramos Rocha, mãe do Rodrigo, que apresenta o TEA e, com 24 anos, procura um emprego. “Geralmente ele é barrado nas entrevistas ou quando é apresentado o laudo médico. Hoje vivemos essa realidade triste porque o Rodrigo vê os outros irmãos com um emprego e só ele não tem”, diz. “Sem contar que as pessoas olham para ele de um jeito diferente”, relata. De acordo com a Ingrid, a conscientização é um dos caminhos a se percorrer para inclusão, porque na fase adulta eles têm consciência de que sofrem preconceito.


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