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Indústria resiste aos impactos do coronavírus

KÁTIA APPOLINÁRIO | 25/02/2020 | 05:00

Os impactos do coronavírus já estão refletindo na economia nacional. Até este momento, um dos setores mais afetados foi o de eletroeletrônicos, mas em Jundiaí, segundo especialistas, ainda é cedo para falar em mudanças no cenário local. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 57% das 50 empresas associadas sofreram algum impacto.

Em Jundiaí, com mais de 160 multinacionais, de 24 diferentes nacionalidades e setores, o nicho de eletroeletrônicos comporta nomes fortes como a Foxconn e Compal, todas associadas da Abinee, contudo ainda não há certeza sobre os impactos. Caso venham a ser atingidas, só será possível mensurar a partir de março quando os números nacionais serão copilados pela indústria.

Para o gestor da Unidade de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Messias Mercadante de Castro, o polo industrial de Jundiaí não apresentou grandes impactos. “Na cidade a atividade da indústria continua igual. Nenhuma das grandes empresas teve sua atividade paralisada, ou mesmo ficaram desabastecidas de matéria-prima. Os desdobramentos disso vão depender da sequência na China. A expectativa do governo é que no mês de março a produção industrial atinja 80% de sua capacidade. Se isso ocorrer, a indústria chinesa retomará o nível de insumos eletrônicos em escala mundial”, afirma.

CONSEQUÊNCIAS
Segundo o diretor de Comércio Exterior do Centro de Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), Márcio Ribeiro, a alta do dólar e o desabastecimento são apenas alguns indícios do impacto em território nacional.

“Não há como a economia local não ser impactada. Podemos notar isso pelo aumento generalizado no preço dos fretes, que também refletem no preço do produto final para o consumidor. Além disso, já percebemos o movimento de valor de importação de container, por exemplo, que subiu em 30%, isso indica que tem muita demanda e pouco equipamento”, alerta.

O diretor lembra que este impacto se deve aos fechamentos de fábricas na China por um período mais longo do que se esperava. “Essa parada aconteceu concomitante ao ano novo chinês e isso já era esperado”, diz.

Contudo, o problema vai além da questão logística. “Esta não é uma situação isolada em Wuhan. Todas as empresas que precisarem colocar seus pedidos de produtos acabados ou de matéria-prima na China durante os meses de dezembro, janeiro e fevereiro estão com os seus pedidos atrasados”, ressalta o especialista referindo-se à expectativa de reabastecimento em nível nacional.


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