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Indústrias de Jundiaí se adaptam e mantêm produção no isolamento

Ariadne Gattolini | 10/05/2020 | 07:02

Em meio à crise do coronavírus, uma polêmica envolve a aferição do isolamento social e o perfil industrial de Jundiaí, onde 62% das indústrias mantiveram sua produção, segundo dados do Ciesp-Jundiaí.

Desde o início da pandemia, as indústrias entraram na lista de atividades essenciais em todo o território paulista. Por este motivo, as 1.872 indústrias de Jundiaí – dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) – reforçaram os procedimentos de segurança sanitária e mantiveram suas operações. Juntas, elas empregam 42.389 pessoas e abastecem todo o país com os mais variados produtos, que vão desde de alimentos e bebidas até equipamentos hospitalares.

A IBG, localizada no Distrito Industrial, oferece ampla variedade de gases medicinais e é a única 100% nacional no setor. Com as necessidades trazidas pela pandemia, a empresa registrou aumento de quase 30% na demanda de gases medicinais como oxigênio. Além de atender mais de 300 hospitais e unidades de saúde em todas as regiões do país, a IBG também iniciou o fornecimento de gases para hospitais de campanha implementados por prefeituras como as de Florianópolis (SC), Goiânia (GO), Guarulhos e Santos (SP).

Segundo informações da Unidade de Gestão de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (UGDECT) da Prefeitura, Jundiaí também conta com algumas das maiores indústrias de alimentos e bebidas do mundo, responsáveis por abastecer os mercados de locais, do país e além-fronteiras. Só a Coca Cola/FEMSA, a maior engarrafadora em volume de vendas, conta com mais de 900 colaboradores diretos e cerca de 500 terceirizados. Já a unidade local da BRF realiza armazenagem, distribuição e desenvolvimento de produtos para os mercados nacional e internacional, com capacidade de cerca de 22 mil toneladas de produtos estocados e distribuídos/mês e empregando mais de mil pessoas, diretas e indiretamente.

“Nenhuma dessas empresas parou completamente devido à pandemia. Tudo isso foi necessário por conta dos seus portfólios, uma paralisação geraria desabastecimento no país”, explica o gestor de Desenvolvimento Econômico, Messias Mercadante. Segundo ele, grande parte das indústrias manteve relativamente suas atividades, enquanto outras tiveram redução de jornadas de trabalho, algumas de até 70%.

Também há indústrias no município que adaptaram parte de seu processo operacional e passaram a fabricar produtos para atuar no combate à pandemia, como álcool em gel, aventais hospitalares, máscaras de tecido e máscaras plásticas.

Além dos números
Conforme dados do Sistema de Monitoramento Inteligente, Jundiaí alcançou taxa de isolamento durante os dias úteis de 45% e uma variação de 15 pontos percentuais na comparação entre os dias anteriores às medidas preventivas à COVID-19 (13 de março), na comparação com o dado aferido na última terça-feira (5). O percentual variável é superior, inclusive, aos municípios indicados como líderes em isolamento, como São Sebastião e Ubatuba.

Enquanto São Sebastião, com 88.980 habitantes, segundo dados do IBGE, registrava 47% de isolamento social em 13 de março e 63% em 5 de maio, que resulta em uma variação de 16 pontos no período. Em Ubatuba, com 90.799 habitantes, registrou 47% e 61% respectivamente, gerando a variação de 14 pontos entre uma data e outra. Jundiaí, com 418.962 habitantes crava, nas mesmas datas, os percentuais de 29% e 44%, resultando em uma variação de 15%.

Por características diferentes econômicas, a comparação direta entre os índices desconsidera os cenários de cada localidade, bem como a sua característica do parque instalado. Na comparação com cidades do mesmo perfil econômico, São José dos Campos, com 721.944 habitantes, atingiu, na última terça-feira (5), 48% de isolamento social, contra 34% no dia 13 de março. Já Sorocaba, com 679.378 habitantes, manteve 44% da população isolada no dia 5 de maio e 30% no dia 13 de março. Ambas registram variação de 14 pontos entre os períodos, índice inferior a Jundiaí.

“O isolamento e o distanciamento, aliados às medidas de higiene, são as únicas formas de combater o avanço da doença. Porém, a análise simples de dados de deslocamento não subsidia para tomada de decisões”, avalia o prefeito Luiz Fernando Machado.  “Como temos um parque industrial que não foi paralisado, e setores da indústria que tiveram de ampliar a produção por conta da demanda específica de saúde, somente a comparação de deslocamentos por entre as antenas de celular, sem a análise das características de cada cidade, não apresenta um dado fidedigno sobre a real situação”, comenta.

A análise do prefeito foi corroborada pelo economista e professor Mariland Righi. “As estatísticas atuais são vagas, pois não levam em consideração questões econômicas, condições de cada local ou faixa de renda. Não há como trabalhar com heterogenia”, aponta.

 

Empresas preveem redução de 92% nas vendas entre abril e junho

Diante da crise do coronavírus, 92% das indústrias preveem redução nas vendas de abril a junho, principalmente devido à queda e cancelamento de pedidos e problemas de recebimento de clientes. Uma pequena parcela (5% das indústrias) esperam estabilidade nas vendas e somente 3% preveem aumento, especialmente devido à demanda aquecida decorrente do fornecimento a setores de bens essenciais. Estes dados são do Ciesp-Jundiaí, em sua pesquisa sobre o impacto da crise. A redução média prevista nas vendas é de 55% de abril a junho.

Na relação com clientes, 60% das empresas relatam que não há entrada de novos pedidos, 50% apontam que clientes renegociaram para adiar o pagamento de pedidos entregues, 45% relatam que clientes estão operando apenas parcialmente e 37% solicitando adiamento da entrega de pedidos. Praticamente não há indicação de problemas logísticos para escoamento da produção.

Em relação à situação econômica das indústrias, a maioria (63%) tem caixa disponível para honrar suas obrigações por até um mês, 17% das empresas tem caixa para até dois meses, 11% para até três meses e 9% para mais de três meses.

Por esta razão, 73% das empresas apontam que necessitarão de crédito para capital de giro nos próximos três meses em um percentual médio de 43% do seu faturamento. A maior parte deste crédito (89%) será utilizado para pagamento de salário de funcionários; 63% das empresas pretendem usar crédito capital de giro para aquisição de insumos e matérias-primas e 39% das empresas para pagamento de custos de energia.

Quanto a medidas trabalhistas para lidar com a crise, as principais medidas adotadas pelas empresas são férias para parte dos funcionários (57%) e redução de jornada de trabalho e salário (53%). A demissão de funcionários fica em terceiro lugar na indústria (37%).

Outras medidas de gestão que as empresas pretendem adotar frente a crise são principalmente: renegociar pagamento de fornecedores e contratos com prestadores de serviços (49%) e suspender compras e contratos com prestadores de serviços (45%). Em relação às vendas, a principal medida a ser adotada pelas empresas é possibilitar e ampliar o parcelamento das vendas (59%).

Funcionários
As indústrias jundiaienses optaram por não demitir. As principais medidas adotadas pelas empresas são férias para parte dos funcionários (57%) e redução de jornada de trabalho e salário (53%). A demissão de funcionários fica em terceiro lugar na indústria (37%).

Segundo o diretor-titular do Ciesp-Jundiaí, Marcelo Cereser, é imprescindível que os empresários tenham acesso a linhas créditos. “Há três frentes: permitir a empresas com faturamento anual superior a de R$ 10 milhões que acessem a linha de crédito para folha de pagamento; turbinar o fundo garantidor do investimento do BNDES e destravar e agilizar o acesso a todas as linhas de crédito oferecidas”, afirmou.

 


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