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Instalados em bairros, comerciantes amargam prejuízo de até 70%

KÁTIA APPOLINÁRIO | 13/05/2020 | 05:00

Mesmo em funcionamento conforme autorização do decreto municipal, alguns serviços essenciais também estão sendo prejudicados pela crise econômica, principalmente nos bairros. Os pequenos comerciantes, que dependem do fomento local assistem as vendas caírem e se sentem de mãos atadas diante da impossibilidade de mudar este cenário.

O proprietário de uma padaria no Eloy Chaves, Sandro Luis Pacanaro, de 47 anos, diz que as vendas tiveram queda de 70%. “Antes da pandemia nossa padaria era um ponto de encontro para os moradores da região que passavam por aqui para trabalhar em São Paulo, mas com o isolamento social, os costumes desse público foram repensados e isso nos afetou diretamente”, compartilha.

A produção de pães franceses, principal demanda do estabelecimento, reflete diretamente a queda das vendas. “Antes eu produzia 1,2 mil pães diariamente. Agora produzo 300 e às vezes nem isso vendemos”, afirma.

O delivery tem sido uma opção. “O que tem nos ajudado é a opção do delivery, mas mesmo assim o prejuízo tem sido grande. Estou trabalhando para pagar os boletos e funcionários”, conta.

Fabiano Pereira Roveri, de 40 anos, é proprietário de uma oficina mecânica e para seguir com o seu empreendimento teve que fazer ajustes na equipe. “Para reduzir as contas, dei férias para um funcionário e suspendi o contrato de outros dois colaboradores por 60 dias. Até o momento não precisei fazer empréstimos”, explica.

Ele conta que desde o início do período de quarentena o movimento caiu drasticamente. “Antes atendíamos em média 170 clientes semanalmente, mas desde o início do isolamento esse número caiu para 80. Para nós isso significa mais de 50% de prejuízo”, lamenta.

Roveri, assim como muitos outros comerciantes locais, se preocupa com o futuro. “Acredito que essa situação ainda vai longe e não sei dizer se estou preparado para isso. Espero que, ao menos, não barrem o nosso direito de trabalhar”, pontua.

Silvio Veríssimo de Carvalho, de 50 anos, trabalha em uma lanchonete na Ponte São João. Para cortar gastos, ele recorreu à redução da equipe. “Diminuímos nossos funcionários em 50%. Além disso, nossas encomendas com os fornecedores também foram cortadas pela metade em razão do baixo fluxo no estabelecimento”, conta.

No entanto, nem todos pontos comerciais foram afetados. Ana Carolina Falasco, de 28 anos, é proprietária de uma loja de produtos naturais e conta que não sentiu o impacto no caixa. “Só ficamos com as portas fechadas por duas semanas, além disso, tenho um público fiel, principalmente por trabalhar com um nicho tão específico, então minhas vendas seguiram estáveis”, diz.

LINHAS DE CRÉDITO
Para aliviar as contas, uma opção é aderir as linhas de crédito emergenciais. A Unidade de Gestão de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia afirma que desde o início de abril, o Banco do Povo Paulista, programa estadual de fomento ao empreendedorismo vinculado à Prefeitura de Jundiaí, já realizou 350 atendimentos e recebeu 156 pedidos de crédito.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio) e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL), Edison Maltoni, neste momento é preciso redobrar a atenção com a contabilidade das empresas. “Aconselhamos os empresários a cuidarem dos custos de suas lojas, a fazerem uma previsão da receita dos próximos meses e também a cortar os gastos com cartões de crédito”, alerta.

Além disso, Maltoni aponta os meios digitais como uma forte ferramenta para alavancar as vendas mesmo durante o isolamento social. “As redes sociais e o comércio eletrônico vieram para ficar e para dar visibilidade aos negócios locais. Isso não quer dizer que os comércios de rua vão acabar, mas a internet nos ajudará a dar um passo a frente”, ressalta.

Sandro Pacanaro afirma que a produção e venda de pães teve queda brusca

 

Fabiano Roveri teve que rever seus funcionários para reduzir prejuízos

 

Ana Falasco afirma que seu estabelecimento não foi afetado pela crise

 

Sílvio Veríssimo trabalha em uma lanchonete e viu a equipe ser reduzida em 50%


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