Jundiaí

Intentos sinistros


A menina é do lado de cá. Carrega sonhos próprios de 11 anos. Dentre seus encantos, o conjunto sul-coreano BTS, também conhecido por Bangtan Boys, tipicamente K-Pop. A explosão mundial do grupo, que estreou em 2013, deu-se em 2017, ao ganhar o Prêmio Top Social Artista no Billboard Music Awards. Até parece que entendo desse gosto musical de agora. Cantam: “Eles apontam o dedo pra mim/ Mas eu não dou a mínima. (...) Eu sei o que sou/ Eu sei o que quero/ Eu nunca vou mudar/ Eu nunca vou negociar...” Ganhou, a garotinha, um celular para ‘viajar’ em um mundo que não é seu e quem o possui atinge o desconhecido. Pôs asas nos pés a partir do menino que a chamou via WhatsApp, tendo como foto de perfil um dos integrantes do referido conjunto. Em paralelo, na página do Facebook que a mãe lhe fez - embora esse povo mais novo entenda muito mais de redes sociais do que os crescidos -, surgiu o indivíduo que se identifica como de uma cidade a 1750 km daqui. Teceu elogios para a sua silhueta de 21, 2 kg e 1,23 de altura, abaixo do peso e da estatura pelos limites físicos. Escreveu, dentre outras obscenidades, que o corpo dela aguentaria o dele. Valha-me Deus! Xô! A mãe se assustou e veio me contar. Sugeri que registrasse a ocorrência na DDM, para protegê-la e para que não aconteça com outras menores. Infelizmente, pervertidos não faltam. O temor da mãe é que o cidadão esteja mais próximo do que se pensa e possa pegar a filha. Visitei a página do indivíduo, cuja imagem não corresponde à data de nascimento que coloca. Há, dentre outros amigos dele, meninas de escolas municipais e estaduais, de diferentes lugares do país. Argh! Muitas delas com fotos em poses sensuais, estilo Anita. Comentei com minha amiga de sangue e sabedoria indígena. Indignada, afirmou de imediato: "É um sacripanta". Acrescentou que a cura para ele é língua de vaca com mel. Não entendi. Deu a receita: “Amarra o sacripanta num pasto, coberto de mel, e as vacas, com sua ‘língua macia’, dão um trato na pele dele. Com a pele ‘sarada’, acalma o seu desejo de prazer macabro com gente pequena”. Em um tempo de funk como ‘Vem, Gatinha... Vamos fazê besteirinha’, de redes sociais à disposição, de muitos pais que não acompanham seus filhos na internet, crianças e adolescentes se tornam cada vez mais vulneráveis aos apetites de abusadores. MARIA CRISTINA CASTILHO é professora e cronista

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