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Intervenção aponta fraude no Clube Floresta

ARIADNE GATTOLINI | 19/10/2019 | 10:00

Relatório da intervenção judicial na Associação Atlética Floresta aponta indício de fraudes no clube, com eleição de um analfabeto para a presidência, dolo em relação à administração do patrimônio, acordos sem a presença do réu, que acarretaram milhões de prejuízo ao clube.

O relatório do interventor está sob análise do juiz da 4ª Vara Cível da Comarca de Jundiaí. O Ministério Público emitiu parecer pedindo também a investigação policial sobre o assunto.

As irregularidades começaram com o desmembramento e venda de terrenos e no contrato de comodato para o Circolo Italiano. Segundo os autos, o Circolo chegou a fazer acordo com dívidas entre o Floresta e a DAE sem a presença de representantes da diretoria do Floresta. Além disto, no comodato, o dever legal de assumir as dívidas seria do Circolo Italiano, que não teria honrado sua contrapartida.

A eleição do presidente também teria sido acometida por fraude. Não houve ata da eleição, lista de presença, que culminou colocando um dirigente analfabeto à frente do clube, que sequer era associado. Até mesmo as datas da realização das assembleias não batem com o calendário.

Por causa de uma reclamação trabalhista, de R$ 36 mil, o clube perdeu também uma área estimada em R$ 5 milhões – vendida em leilão por meros R$ 1,05 milhão.

Diante dos fatos, o interventor Dirceu Cardoso sugere ao juiz que o patrimônio restante do clube seja doado a uma entidade sem fins lucrativos de Jundiaí, de acordo com o próprio estatuto do Floresta.

Dirceu afirma que a investigação foi a mais instigante de sua carreira. “Os indícios são incisivos e houve fraude grosseira, com a dilapidação de um patrimônio construído com a boa vontade de seus associados durante décadas.”

As advogadas de um associado, José Antonio Regamin, são as autoras do pedido de intervenção no clube. Andressa Giglioti, Sumara Abou Morad e Paula Malerba querem agora que haja uma nova assembleia na associação, com constituição de uma nova diretoria. “Além disso, queremos que se reparem os dolos, com a total restituição financeira e com a devolução do prédio ao seu verdadeiro dono”, afirma Andressa.

Ainda não há data para que a sentença final seja proferida pelo juiz. No local, toda a história do clube foi destruída, bem como a boa vontade de seus associados. Resta apenas um prédio de arquitetura moderna e a pressão imobiliária crescente para que os associados do Floresta não reconheçam mais o que ajudaram a construir.


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