Jundiaí

Jornaleiros: Profissionais resistem ao tempo e à tecnologia


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Crédito: Reprodução/Internet
Prestes a completar 80 anos, um dos mais simpáticos e atenciosos jornaleiros de Jundiaí fala com orgulho dos 40 anos dedicados à sua banca de jornal. Dercy Mattos Pereira, ou simplesmente ‘seu Dercy’, tem resistido ao tempo e aos avanços da tecnologia para manter sua banca aberta de domingo a domingo. Como ele mesmo observa, a internet até mudou o perfil das pessoas que costumam ir à sua banca, porém, teve a consciência de que era preciso renovar e investir para que esta mesma clientela continuasse procurando por ele. Além dos tradicionais jornais, coloca à venda gibis, revistas e até alguns produtos alimentícios. “A internet atrapalhou um pouco as vendas, mas apesar das dificuldades, continuo trabalhando com meu filho porque amo o que faço. Comecei sem saber nada, mas quando a gente gosta do que faz, a gente persiste", diz com orgulho. Aos 19 anos ele veio morar em Jundiaí para trabalhar com seu irmão e nem imaginava que se tornaria um dos jornaleiros mais conhecidos na cidade. Aliás, uma profissão que adquiriu por acaso porque começou trabalhar em uma fábrica de tecidos. “Meu irmão trabalhava na feira e, nas minhas folgas, eu ia ajudá-lo. Antigamente tinha bancas de jornais nestes espaços e foi lá que eu conheci uma pessoa que já trabalhava com jornais. Me interessei e comecei a ir aos finais de semana, até que me acostumei com o ritmo”, conta. E esta rotina na feira durou 20 anos, até que encontrou um outro ponto para trabalhar. Agora em uma das ruas mais famosas de Jundiaí, a do Retiro. “Aqui onde estou já tinha um ponto, mas como o antigo dono estava saindo, me interessei em alugar o ponto. O dono do prédio só me falou assim ‘vamos fazer uma experiência de três meses e se eu não gostar você sai’. Até hoje eu brinco que estes três meses duraram mais 20 anos”, diz ‘seu Dercy’. Para ele, comemorar mais um dia do jornaleiro, lembrado em todo o país amanhã (30), é lembrar de quatro décadas de muito trabalho, mas que até agora tem valido a pena. “Enquanto eu puder, vou ficando por aqui. É minha vida.”

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