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Jovens criam novas expressões para relacionamentos virtuais

BIANCA MARIANO - ESPECIAL PARA O JJ | 28/10/2018 | 11:00

O mundo virtual tomou o espaço no mundo real. A era digital mudou os estilos de vida, o comportamento e até mesmo os relacionamentos amorosos, que ganharam expressões próprias.

Para as relações que acabam de repente, sem explicações e deixa o jovem sem saber o que aconteceu, o “ghosting” é a expressão adotada para representar o comportamento de alguém que resolve encerrar uma relação sem qualquer tipo de conversa, apenas cortando todo o contato e evitando a pessoa.

O “ghosting” tem consequências, tanto para quem pratica como para quem o sofre. O primeiro pode ter a autoestima comprometida ao se sentir descartável e ignorado, enquanto o segundo pode ser obrigado a lidar com remorso e culpa por ter tratado alguém desta forma. A moda agora entre os adolescentes é o “orbiting”, quando a pessoa com quem está saindo some sem deixar pistas, não olha as mensagens, mas continua a orbitar em volta da pessoa, curtindo fotos, vídeos, vendo stories no Instagram, acompanhando a vida passo a passo.

Considerados fenômenos do mundo atual, os aplicativos de encontros e as redes sociais, principalmente, o Instagram, são utilizados com frequência pelo jovens. O estudante Luis Roberto Barbosa, de 19 anos, confessa que a tecnologia não o ajuda na hora da paquera. ”Já fui vítima do ‘ghosting’, mandei mensagem para a menina pelo Instagram. A conversa fluía bem, normal. Depois de algumas semanas combinamos de nos encontrar, quando fui responder, algumas horas depois, percebi que ela tinha me bloqueado. Nosso ‘relacionamento’ terminou assim”, conta Luis.

Quando uma das partes do relacionamento desaparece, a outra pessoa fica desamparada, precisando lidar sozinha com o fim do relacionamento que acabou sem que ela soubesse a razão. Se enfrentar o fim de um relacionamento já é complicado, passar por uma situação dessas pode aprofundar os sintomas. Segundo a psicóloga Cleonice Souza, o conversar pessoalmente sobre a relação virou algo desnecessário com o surgimento da internet. “Os jovens vivem relacionamentos com prazos de validade, os sentimentos são temporários e, nesse contexto, a empatia, a preocupação com o próximo desaparecem.”

A tecnologia tem seu lado bom e ruim. Começar uma conversa com estranhos na internet pode ser muito perigoso. A estudante Natália Simões, de 18 anos, costuma chamar atenção dos seus pretendentes através dos likes. “Um dia, um cara usou a tática dos likes comigo, começamos a conversar, do nada ele começou a pedir foto minha, pedia para fazer chamada de vídeo. Fiquei muito assustada, acabei bloqueando ele e pratiquei o “ghosting” porque ele me chamava para conversar todo dia e eu já não queria mais a atenção dele,” disse Natália.

Luis Roberto Barbosa não gosta de usar os aplicativos on-line para flertar (Foto: Rui Carlos)

Luis Roberto Barbosa não gosta de usar os aplicativos on-line para flertar (Foto: Jornal de Jundiaí)

 

 


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