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Jovens não têm dificuldade para comprar cigarros em Jundiaí

VINICIUS SCARTON | 01/12/2018 | 05:04

Um estudo recente do Instituto Nacional do Câncer (Inca) constata que a maioria dos adolescentes brasileiros consegue comprar cigarros sem dificuldades, tanto no comércio formal quanto no informal. Em Jundiaí, o coordenador do Programa de Assistência Intensiva ao Tabagista (Pait), Carlos Costa, reforça que a lei proíbe a venda de cigarros para menores de 18 anos. “Mesmo assim nossos adolescentes conseguem adquirir o produto. Vejo a situação como um verdadeiro desrespeito a lei”, considera.

Segundo Costa, o Brasil precisa intensificar a fiscalização e impedir a venda de cigarros para crianças e adolescentes. “Aqui em Jundiaí, por meio do Pait, temos alertado os jovens e a população como um todo. Nossa principal orientação para esse público é a de não experimentar o cigarro em hipótese alguma”, alerta. A pesquisa do Inca indica que 86,1% dos adolescentes de 13 e 17 anos que tentaram comprar cigarros nos 30 dias anteriores à entrevista não foram impedidos. Segundo o levantamento, os mais novos do grupo (entre 13 e 15 anos) tiveram um pouco menos de facilidade, mas ainda assim 82,3% conseguiram comprar: é uma proporção alta.

O trabalho do Inca e do Ministério da Saúde considera dados de 2015 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada a cada três anos com estudantes de escolas públicas e privadas em todos os estados brasileiros. O coordenador do Pait de Jundiaí destaca que, ao longo de 11 anos de existência, o programa já atendeu cerca de 5.500 pacientes de diversas idades (de 15 a 80 anos). “A população jovem, de menores de 21 anos, é uma minoria no Pait, pois o tabagista leva um tempo para procurar ajuda e deixar de fumar”, analisa.

Das 5.500 pessoas que passaram pelo Pait, Costa ressalta que 80% conseguiram se libertar do vício do cigarro. “O trabalho do programa é gratuito e consiste em sessões em grupos, aplicando técnicas cognitivas, comportamentais e motivacionais para deixar de fumar”, explica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo, levando ao risco de doenças, como enfarte, acidente vascular cerebral, câncer e doenças respiratórias. “Além disso, no caso dos jovens, a grande preocupação é a questão estética e social. Afinal, o cigarro provoca rugas profundas e precoces, amarela os dentes e o cheiro é muito desagradável”, complementa o médico.

Narguilé
Não bastasse a procura por cigarros, os jovens também estão fazendo uso do narguilé, um dispositivo popular e extremamente perigoso à saúde. “O seu consumo equivale a 100 cigarros. Além das doenças do tabaco, o narguilé pode levar a doenças contagiosas em função do compartilhamento do dispositivo”, alerta Costa.

Outro dispositivo que preocupa é o cigarro eletrônico. “Infelizmente os adolescentes e jovens também estão procurando esse mecanismo. Por isso, é importante que os pais orientem e protejam seus filhos desta exposição ao tabaco”, recomenda o médico. Para os interessados em ajuda para parar de fumar, o Pait funciona no Núcleo Integrado de Saúde (NIS), na avenida Carlos Salles Block, 74, no Anhangabaú. Os encontros são às terças e quartas, a partir das 14h, e na última sexta-feira de cada mês, às 14h. Mais informações pelo telefone (11) 4521-0733.

Rui Carlos

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