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Jundiaí abre serviço para abrigar pacientes psiquiátricos

NIZA SOUZA - csouza@jj.com.br | 03/03/2018 | 01:24

Cecília tem 57 anos e esteve internada em hospitais psiquiátricos desde os 15, depois que foi diagnosticada com deficiência mental. Há muito tempo não tem contato com a família, mas ela adora conversar e faz questão de se arrumar – e colocar bijuterias – para passear. Jocelina tem esquizofrenia e está sempre fazendo crochê, sua paixão. Foi atropelada em Sorocaba, em 1996, e acabou internada no hospital psiquiátrico da cidade, onde passou os últimos anos. Cecília e Jocelina vieram do Hospital Vera Cruz, de Sorocaba, e são as primeiras moradoras do Serviço de Residência Terapêutica (SRT) de Jundiaí, que inaugurou a primeira casa, no Jardim Paulista, esta semana. O serviço faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), preconizada pela Ministério da Saúde, e é um passo importante para a rede de saúde mental na cidade.

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

Foto: Rui Carlos/Jornal de Jundiaí

“A residência é a expressão máxima daquilo que a gente vem buscando como novo modelo de tratamento para esses pacientes. A ideia é desinstitucionalizar todos os que estão internos nesses hospitais”, destaca Alexandre Moreno Sandri, coordenador de Saúde Mental da Unidade de Promoção da Saúde de Jundiaí. Segundo ele, o último censo realizado nos hospitais psiquiátricos de São Paulo identificou 20 pacientes provenientes de Jundiaí. Todos serão trazidos de volta para a cidade, assim como Cecília e Jocelina. Essa primeira casa tem capacidade para dez moradores. Por isso, será inaugurada uma segunda, na Vila Liberdade, no próximo dia 20 de março, para mais dez pacientes.

“Vamos trazer esses pacientes gradativamente, para que a adaptação seja a mais tranquila possível. A maioria deles não tem contato com a família e está internada há mais de dez anos, alguns há 40, como a Cecília. É um ambiente completamente diferente”, explica o coordenador. A residência conta com uma equipe de apoio, composta por cuidador e técnico de enfermagem, 24 horas por dia. “Esses profissionais serão essenciais no processo de ressocialização e ganho de autonomia”, frisa Alexandre. “A gente vê experiências de outras cidades que mostram uma melhora significativa na qualidade de vida desses pacientes.” No primeiro dia na nova residência, Cecília e Jocelina já estavam se sentindo em casa. Jocelina, inclusive, foi quem abriu o portão da casa para a visita da reportagem. “Adorei tudo aqui. A mesa, o sofá, a cama”, resumiu. Na próxima semana chegarão seis outros pacientes provenientes de clínicas e hospitais psiquiátricos de Salto de Pirapora.


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