Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Jundiaí atrai quase 30 haitianos por mês em busca de emprego

| 18/05/2014 | 00:00

Um movimento cada vez mais frequente é registrado pela unidade do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de Jundiaí. De acordo com o gerente regional, Roque de Camargo Junior, por mês 28 carteiras de trabalho para estrangeiros são emitidas para haitianos que pretendem se empregar em Jundiaí. O número representa 80% das 35 carteiras retiradas por imigrantes que vêm atuar na Região. Além deste público, outras 35 carteiras são fornecidas pela unidade para estrangeiros que residem na Grande São Paulo, o que resulta em uma média de 70 documentos por mês.

“Estamos notando que este processo ocorre com frequência, e os haitianos são mais presentes por conta da difícil situação enfrentada pelo país depois do forte terremoto que devastou a nação, há alguns anos”, comenta Roque. O gerente também afirma que os haitianos só retiram o documento após estarem regularizados perante a Polícia Federal. “A maioria entra pela fronteira do Brasil com outros países, na situação de refugiados.

Como há uma política de acolhimento, os haitianos passam pelo processo de legalização e, depois disso, buscam o MTE para retirar a carteira de trabalho”, explica. Roque, porém, destaca que o apoio não deve ficar restrito ao processo imigratório. “Firmar tratado de refúgio é uma coisa, mas oferecer condições para estas pessoas se manterem é outra. O Brasil precisa investir em políticas públicas de acolhimento e preparação para o mercado de trabalho.”

Sonhos – Um grupo de 12 haitianos, com idades entre 20 e 30 anos, está em Jundiaí há pouco menos de dois anos. Em comum, dois desejos: a vontade de crescer profissionalmente e a busca pela formação universitária. Vivendo em uma casa alugada no bairro Água Doce, os nove homens e uma mulher trabalham como auxiliares de produção, com registro em carteira, em indústrias alimentícias e de cerâmica, obtendo renda individual de R$ 1,1 mil ao mês, em média. Outras duas mulheres do grupo cuidam da casa e se preparam para cursar uma faculdade. 

Mais adaptado à nova vida, Frenio Pierre, 27 anos, explica que ele, sua irmã Remise Noël, 24, e mais dez conterrâneos deixaram o Haiti para vir a Jundiaí em busca da concretização dos projetos que não poderiam ser realizados na pequena ilha do Atlântico. “Nossa nação não oferece tantas oportunidades quanto o Brasil, por isso nos separamos de famílias e amigos e partimos para desafios longe de todos, com o objetivo de crescer”, explica, com um leve sotaque francês.

Hoje, trabalhando em uma empresa privada jundiaiense da área de alimentos, Frenio também estuda. No primeiro ano de uma faculdade particular da cidade, o jovem cursa engenharia mecânica. “No meu país seria muito mais difícil conseguir manter o que aqui conquistei.” Há também, entre o grupo, um casal que já tem um filho de dez meses, nascido em Jundiaí. “Quero vê-lo jogando pela seleção brasileira”, brinca o pai, Ricado Pharisien, de 30 anos. A mãe, Jonise Saruel, 29, ainda não domina o português, mas demonstra o desejo de criar o filho no novo País quando questionada, em francês, por Frenio. “É um bom lugar, estamos felizes aqui.”

Para matar a saudade dos familiares, os 12 haitianos possuem diversos notebooks e celulares com acesso à internet. Entre as ferramentas mais utilizadas, redes sociais como Facebook e Skype. “Antes usávamos celulares, mas a conta ficava alta”, diz Frenio. Na hora do lazer, depois de um longo dia de trabalho, todos se reúnem para assistir programas de TV e acessar a internet.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/jundiai-atrai-quase-30-haitianos-por-mes-em-busca-de-emprego/
Desenvolvido por CIJUN