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Jundiaí continua pagando as contas do Hospital São Vicente sozinha

Simone de Oliveira | 12/07/2019 | 05:01

O Hospital São Vicente (HSV) é hoje uma das unidades de saúde do Estado referência nas áreas de urgência, emergência e alta complexidade em neurocirurgia, ortopedia e traumatologia, oncologia e cardiologia e, como na maioria dos hospitais públicos, sobrevive a partir do custeio majoritário da Prefeitura de Jundiaí. Com uma despesa anual de R$ 200 milhões, Jundiaí arca com 75% desta conta, ficando a cargo do Estado (Secretaria de Estado da Saúde) pagar apenas 7% e 18% por parte da União.

Esta divisão desigual de financiamento tem sido o gargalo do hospital, em especial por ser referência para as cidades que fazem parte do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) e outras, como Itatiba, para as áreas de oncologia. O gestor da Unidade de Gestão de Promoção de Saúde (UGPS), Tiago Texera, comenta que ter um equipamento referência para uma região de saúde faz com que a cidade fique sempre com a maior fatia das despesas. E esta tem sido a grande briga dos municípios.

“O HSV é referência para a região de saúde do AUJ e, para isso, recebe, a partir de uma pactuação federal, valor que seria uma média para o atendimento da região, com valor da tabela SUS (Sistema Único de Saúde), porém ninguém sobrevive com esta tabela, que custeia apenas 1/3 dos custos dos procedimentos. Só para se ter uma ideia, em 2018, Jundiaí custeou R$ 24,2 milhões para os atendimentos que foram feitos para pacientes da região em internações e cirurgias no HSV.

“Considerando o financiamento recebido da União para que o município seja referência regional por meio da Programação Pactuada e Integrada (PPI), nem sempre é um bom negócio ser referência, porque grande parte do custo fica por conta do município”, comenta o gestor.

Parcerias
Para tentar diminuir esta diferença nas contas, a administração municipal espera alinhar as conversas não só com o Estado, mesmo sabendo que se trata de uma realidade do país, mas também com os municípios que utilizam o hospital para os serviços de complexidade.

“O SUS trabalha com a regionalização, quer dizer, faz uma estrutura para garantir a integridade do cuidado com a saúde dentro daquela região e isto significa hospitais que sejam referenciados e outros que atendam a comunidade no dia a dia. Seria interessante se os municípios ajudassem com as despesas, vamos sentar e conversar”, diz Texera.

Conversa que já deu certo com o Serviço de Verificação de Óbito (SVO) em que os oito municípios atendidos fazem o repasse quando precisam do atendimento.

Santa Casa Sustentável
Desde 2015 o município tem pleiteado os recursos que deveriam chegar do programa Santa Casa Sustentável. Seriam pelo menos mais R$ 25 milhões por ano nos cofres, segundo o gestor. “Temos todos os critérios pleiteados e estamos aguardando este recurso que nos ajudaria muito”, diz Tiago Texera.

 


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