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Jundiaí está em Estado de Atenção para o coronavírus

Édi Gomes | 14/03/2020 | 05:00

Durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (13), o prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB) comunicou que Jundiaí está em Estado de Atenção para o coronavírus. Durante o anúncio, ele apresentou o Comitê de Enfrentamento ao Novo Coronavírus com integrantes da saúde pública municipal, estadual e da rede privada. A prioridade, para o prefeito, é não causar pânico e a parceria com os órgãos de imprensa é fundamental na decodificação dos termos técnicos para a população.

Em Jundiaí não há nenhum caso de coronavírus confirmado. Até o momento foram feitas 24 notificações. Três casos foram descartados e 21 aguardam o resultado de exames. Em São Paulo há 56 casos confirmados e outros 753 suspeitos.

A enfermeira da Vigilância Epidemiológica (VE), Maria do Carmo Possidente, alertou que o prazo divulgado pela Fiocruz para o resultado é de 10 dias. “Pacientes de possível contaminação com o coronavírus estão recebendo orientação de que o resultado sai em 48 horas. Como a demanda está grande, a unidade de Campinas tem levado de 7 a 10 dias para conclusão. Hoje, eles recebem a demanda de 200 solicitações diárias. Pedimos paciência a estas pessoas que aguardam e que sigam a recomendação de isolamento domiciliar”, reforçou Maria do Carmo.

Além do estado de atenção, as agendas de eventos com aglomeração de pessoas foram cancelados. Escolas municipais seguem com as aulas normalmente. O prefeito salientou, que em caso de mudança de cenários, tudo será revisto rapidamente.

Além do prefeito anunciar o decreto de atenção, Tiago Texera, gestor da Unidade de Gestão de Promoção a Saúde, apresentou as possíveis estimativas da expansão da doença na cidade de Jundiaí. “No primeiro cenário, com uma população 418.962 pessoas, temos uma projeção de 40%, o que significa 167.584 pessoas. Deste total, 1% de possível contaminação e deste total 20% necessitará do serviço de saúde, cerca de 334”, explicou.

Em um segundo cenário, com as possíveis 167.584 pessoas, com 5% de casos diagnosticados na casa dos 8.379, os 20% passam a acumular 1.675 com a necessidade do uso do serviço de saúde.

Um dos médicos infectologistas presentes na coletiva, Fernando Max Lima da Conceição, que atende em cidades de região, questionou a projeção. “Trabalhei em Jundiaí e hoje estou atendendo em cidades da região. Esses municípios não têm Unidades de Terapia Intensiva. Jundiaí é a cidade referência. Os números apresentados são locais. Temos planos de saúde com 100 mil vidas, e deste total, não sei ao certo, mas deve ser grande os pacientes com mais de 60 anos. Vocês tem um plano ‘B’, caso ocorra a expansão da doença?”, perguntou Max Lima.

Em resposta, o prefeito Luiz Fernando Machado informou que ainda no período da manhã havia conversado com a equipe para promover no início da próxima semana reunião com os prefeitos das cidades do AUJ (Aglomerado Urbano de Jundiaí). “Me sinto constrangido em falar por eles. Este é outro momento deste Comitê. Vou me reunir com eles e os secretários de Saúde destes municípios, para ver as necessidades e assim saber o que Jundiaí absorverá”, justificou.

O prefeito agradeceu a participação dos hospitais da rede privada de Jundiaí. “Prontamente eles nos atenderam. Estão sendo parceiros. Também contamos com a participação do Hospital Regional, que faz cirurgias eletivas. Ele trabalha de portas fechadas, diferente do que acontece com o Hospital São Vicente, que recebe a população das cidades da região”, salientou Machado.

MEDIDAS
O gestor de Saúde, Tiago Texera, apresentou algumas medidas das que serão adotadas pela rede de Saúde do município, entre eles, acompanhamento da Vigilância Epidemiológica, treinamentos, reavaliação dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), dispenseres de álcool gel em todos os serviços de saúde, avaliação da estrutura disponível para os casos graves, disponibilização do informe epidemiológico para toda população, implantação dos protocolos do Ministério da Saúde, além de reavaliação de eventos municipais com aglomeração de pessoas e a parceria com o Hospital Regional na disponibilidade deste de até 20 leitos de UTI.

Nas recomendações de mudança e agenda e procedimentos, Machado disse que os funcionários públicos que fizerem parte dos grupos de risco, como maiores de 60 anos, portadores de doenças respiratórias, entre outras, podem solicitar licença sem perda dos rendimentos.

ATUALIZAÇÃO
Na tarde desta sexta (13) o Ministérios da Saúde alegou que a primeira transmissão comunitária de coronavírus no Brasil foi confirmada. O país registra até então 98 casos confirmados, mas a expectativa é que os números cresçam ainda mais conforme os laudos dos casos suspeitos forem analisados pelos laboratórios.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública deve editar duas portarias na próxima semana para tentar controlar a expansão do novo coronavírus no País. Uma delas, ainda em elaboração, permite a internação e a quarentena compulsória de pessoas com suspeita da doença sem a necessidade de decisão judicial.


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