Jundiaí

Jundiaí estuda medidas para retomar as aulas presenciais

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Crédito: Reprodução/Internet
Desde a suspensão das aulas no final de março, o principal desafio dos órgãos educacionais tem sido pensar em uma solução para a retomada da rotina escolar dos 38 mil alunos da rede municipal de ensino. Com base nas medidas colocadas em prática nos países europeus, Jundiaí já está se preparando para a ‘escola do futuro’. É o que conta a gestora da Unidade de Gestão Escolar (UGE), Vasti Ferrari Marques. "Ao lado da Vigilância Sanitária, estamos construindo um manual de boas práticas. Tudo está em fase de estudo, mas visamos a possibilidade de realizar rodízios entre as turmas para que possa ser mantido o distanciamento social não só em sala de aula, como também nas demais áreas de convivência da escola", afirma. Mesmo sem data definida para a retomada, a gestora reforça que, quando as aulas presenciais voltarem, serão intensificados os procedimentos de higiene no ambiente escolar. "Será realizada a higienização das carteiras, brinquedos e ambientes de uso comum da escola, bem como os protocolos de entrada e saída de estudantes e funcionários", explica ressaltando que todos os procedimentos serão baseados em instâncias superiores de acordo com protocolos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde.   BRINCANDO EM CASA Enquanto isso, longe das salas de aula há quase noventa dias, os filhos confessam aos pais a falta que sentem dos pequenos prazeres da rotina escolar. A pedagoga Tábata Pardini Silva, de 32 anos, mãe da Celeste e da Olívia, de 6 e 4 anos respectivamente que estão na educação infantil. "Minhas duas meninas falam que sentem falta de brincar com os colegas de sala. Aqui em casa elas têm os brinquedos delas, mas o que querem mesmo é o resgate da convivência em grupo", compartilha. De acordo com o doutor em educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Levindo Diniz Carvalho, é natural que as dinâmicas em isolamento social não sejam capazes de suprir a vivência escolar. "Estamos passando por uma situação atípica, uma vez que o isolamento não permite que as experiências de educação integral aconteçam. Assim, é impossível reproduzir as experiências escolares nesse novo contexto", explica o especialista alegando que as possibilidades de manutenção dos vínculos de afeto em casa não substituem a imersão escolar. Ele ressalta ainda a importância do brincar na infância. "A brincadeira é a principal forma das crianças entenderem o mundo. É ainda a forma como elaboram papéis sociais, compreendem valores e experimentam a própria cidadania", explica. Para ele, pensar na retomada é algo complexo e, por hora, um tanto quanto impalpável. “O retorno é uma pergunta para a qual ainda não existe uma resposta pronta. Isso porque os professores terão que pensar no binômio educação e cuidado, que já é um eixo abordado, mas que agora terá que ser somado ao campo da saúde para que as experiências possam ser vividas em completude”, reflete.   NIVELAMENTO A professora Patrícia Batista Donizete dos Santos, de 28 anos, é mãe do André, de 9 anos, que já está no ensino fundamental. Ela conta que, mesmo com o filho entendendo a necessidade de ficar em casa, ele sente falta da mentoria em sala de aula. "O André sempre gostou de estudar, mas as atividades via WhatsApp ou mesmo avulsas, sem o apoio presencial dos professores, fez com que ele desanimasse um pouco em relação aos estudos. Ainda que eu tente ajudá-lo, não é a mesma coisa", alega a mãe que teme o baixo aproveitamento do filho neste ano. Levando em conta as dificuldades de cada aluno, bem como a desigualdade social, a gestão planeja realizar uma nova avaliação pedagógica antes da volta às aulas. “Avaliaremos o que cada aluno aprendeu ou deixou de aprender neste período para que assim possamos reorganizar o calendário escolar. Além disso, teremos um documento voltado para a adaptação dessas crianças à rotina escolar”, diz a gestora. Para a diretora de formação da Fundação Antonio Antonieta Cintra Gordinho, Ana Teresa Gavião Mariotti, esse período em casa trouxe mudanças que poderão permanecer mesmo após a pandemia. "Com as ferramentas digitais, pela primeira vez tivemos uma reunião de pais com 100% das famílias presentes, o que foi ótimo", compartilha, ressaltando o poder de aproximação do ambiente on-line. Além disso, o volume das atividades também poderá ser repensado. "Acredito que esse é um momento para reavaliarmos os conceitos de aprendizagem e valorizarmos ainda mais a qualidade dos conteúdos em vez da quantidade", diz.   REFLEXOS PSICOLÓGICOS A psicopedagoga da Clínica Ludens, Bianca Gabeta Farias, alega que a falta de interação física pode impactar no aspecto emocional das crianças. "Isso acontece porque a falta de amizade na infância não é favorável para o desenvolvimento e pode ainda impactar a vida adulta", explica. Ela diz ainda que a profundidade dos reflexos pode ser delineada de acordo com a extensão do período de isolamento. "As crianças estão com o sistema cognitivo e emocional em desenvolvimento e o posterior enfrentamento dependerá não só da extensão desse isolamento social, como também da conduta e manejo dos pais nesse processo", ressalta. Contudo, para Mariotti, fazer com que os alunos entendam a necessidade do distanciamento será um dos desafios do retorno. “Eu confio na compreensão das crianças e adolescentes, mas para eles a escola é naturalmente um local de troca, contato e encontro e, além disso, somos de uma cultura que adora abraçar”, reflete.     NA EUROPA Em alguns países do continente europeu, como na França, Dinamarca e Noruega, o retorno gradual das aulas presenciais teve início no dia 11 de maio. Para garantir a segurança dos alunos, as salas voltaram com rodízios, quantidades reduzidas de alunos e manutenção do distanciamento social mínimo estipulado pelos órgãos de saúde. No Brasil, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) divulgou na última quarta-feira (17) as diretrizes para protocolo de retorno às aulas presenciais. O documento reúne algumas das soluções discutidas ao lado de outras instituições levando em conta a continuidade do processo de aprendizagem, bem como a infraestrutura disponível no sistema educacional. O documento pode ser consultado através do link: https://bit.ly/2Ybfbf3    

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