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Com filha em coma induzido por suspeita de febre maculosa, família espera por sete horas chegada do Samu

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 14/03/2019 | 05:00

Uma adolescente de 14 anos está internada em coma induzido no Hospital Universitário de Jundiaí desde o último sábado (9) com suspeita de febre maculosa. A família mora no bairro Eloy Chaves e suspeitou da doença por conta das capivaras que habitam o Parque Botânico Eloy Chaves, localizado em frente ao condomínio onde vivem.

A mãe da adolescente, B.A.B.S., que é psicóloga, conta que a filha começou a passar mal na manhã de sábado (9). O Samu foi acionado quatro vezes para socorrer a menina que apresentava uma pressão arterial baixa (6 por 3), febre alta, diarreia, boca roxa e cianose, que é a cor azulada ou acinzentada da pele, unhas, lábios ou região dos olhos. “As 9 horas o condomínio e eu ligamos, eles informavam que estavam chegando e não apareceram. Um casal morador do condomínio prestou socorro à minha filha e levaram-na ao hospital. Por volta das 16h o Samu ligou para perguntar se ainda precisávamos de socorro”, relata.

A mãe conta que o atendimento dos médicos no hospital foi rápido e essencial para o tratamento da filha. “Hoje (13) ela está em coma induzido somente para evitar o desconforto. A febre baixou, a pressão voltou ao normal e ela está fazendo diálise pois os rins pararam”, afirma.

Carlos Ozahata, gerente da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) de Jundiaí, afirma que os sintomas da febre maculosa são semelhantes aos de outras doenças como dengue e chikungunya e por conta disso, o diagnóstico não é feito de imediato. “O exame padrão para confirmar a febre maculosa é feito através de duas coletas de sangue com intervalo de 14 dias. Por isso não temos certeza do caso da adolescente. Apenas a primeira coleta foi realizada”, afirma.

Esse é o primeiro caso suspeito em Jundiaí este ano. Em 2018 foram registrados 40 casos suspeitos da doença, com duas confirmações e nenhum óbito. A última morte causada pela doença foi em 2017.

 

Doença
A febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia que se hospeda no carrapato. Embora qualquer espécie do animal possa ser contaminado pela bactéria, ela é mais comum no carrapato-estrela. A pessoa contrai a doença quando é picada pelo carrapato, que precisa permanecer em contato com o corpo por pelo menos quatro horas.

Os sintomas da doença são febre (em geral alta), dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. Entre o segundo e o quinto dia da doença, surge o exantema (pontinhos avermelhados na palma das mãos e solas dos pés).

“As pessoas podem prevenir a doença evitando áreas que naturalmente habitem carrapatos estrela e regiões que já tenham casos registrados da doença. Caso não dê para evitar esses lugares, as pessoas devem usar calças e blusas de manga comprida, roupas claras, pois é mais fácil localizar o carrapato e ainda fazer uma inspeção no corpo de duas em duas horas”, afirma Ozahata.

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