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Jundiaí registra 16 casos suspeitos de febre maculosa em 2019

ANGELO AUGUSTO | 18/06/2019 | 05:01

O período mais frio e seco do inverno favorece o ciclo reprodutivo dos carrapatos que, caso infectados com a bactéria Rickettsia rickettsii, são os agentes responsáveis pela transmissão da febre maculosa. Neste ano, foram registrados em Jundiaí 16 notificações da doença, cinco aguardam resultados, sem nenhum confirmado, de acordo com boletim emitido semana passada.

No ano de 2018 foram registradas 40 notificações de suspeitas para a doença em Jundiaí, com apenas duas confirmações, sem óbitos.

Em Itatiba (SP), a Secretaria Estadual de Meio Ambiente autorizou o abate de 40 capivaras que vivem em um condomínio depois que um morador morreu por febre maculosa. Treze animais já foram mortos e a decisão virou polêmica na cidade. Órgãos de proteção animal recorreram ao Ministério Público. A capivara é o principal hospedeiro do carrapato-estrela. O trabalho de campo para controle da doença, bem como a investigação de casos, conforme diretriz do SUS, compete aos municípios.

O infectologista Roberto Foccacia explica que a febre maculosa é uma doença de difícil diagnóstico, pois trata-se de uma enfermidade clinicamente inespecífica. “No início, ela se confunde com muitas doenças exantemáticas, como sarampo e rubéola, por exemplo, e na fase grave, com leptospirose, sepse, malária, meningococcemia, e outras”, conta.

A transmissão geralmente ocorre quando o artrópode permanece aderido ao hospedeiro por um período de quatro a seis horas. A doença não é transmitida de pessoa a pessoa. No homem, os primeiros sintomas surgem de dois a 14 dias (em média sete dias) após a picada. Os carrapatos permanecem infectados durante toda a vida, em geral de 18 a 36 meses.

Segundo Roberto, a fase grave é resultado do diagnóstico tardio e, ao chegar nesse ponto, o índice de mortalidade varia entre 20% e 40%. “A maioria dos casos ocorre em jovens do sexo masculino. Muitos diagnósticos não são feitos rapidamente pela dificuldade laboratorial. A sorologia é importante, mas para ter certeza, somente pela pesquisa da reação da polimerase (PCR)”, diz

Doença
A Febre Maculosa é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida pela picada de carrapatos ou fezes de piolhos infectados. No Brasil, a maior parte dos casos é registrada na região sudeste e transmitida pelo carrapato estrela.

O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que foram notificados pelos municípios paulistas 12 casos e 5 óbitos por febre maculosa em 2019, até o dia 6 de junho.

A maioria dos casos acontece em jovens do sexo masculino. “Para a suspeita diagnóstica é importante a informação de que houve contato com carrapato. Pacotes não tratados podem evoluir para formas graves atingindo vários órgãos como pulmão, coração, sistema nervoso, rins, sangramentos, choque”, alerta o infectologista.

Em Jundiaí, a maior parte dos casos de suspeita de febre maculosa é proveniente de locais onde habitam capivaras, que servem de hospedeiras para o carrapato estrela.

A doença é causada por uma Riquétsia, um micro-organismo entre bactéria e vírus. E a capivara não é a única hospedeira do carrapato: o reservatório em cidades grandes também pode ser os cães e na zona rural, o cavalo.


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