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Jundiaí registra quatro suicídios só em novembro

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 24/11/2018 | 05:00

Novembro nem chegou ao fim e já é o mês com mais casos de suicídios em Jundiaí este ano. De acordo com dados do Centro de Atenção Psicossocial (Caps), órgão da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde, 23 casos foram registrados ao longo de 2018 até o último dia 22 de novembro.

Enquanto maio registrou apenas um caso, em novembro foram quatro até o momento. Um quinto caso poderia ter sido registrado nesta quarta-feira (21), caso a Guarda Municipal de Jundiaí não tivesse impedido um homem de 36 anos, morador do Jardim Tulipas, de se matar. Setembro e outubro registraram três cada um. Foram registrados dois casos em cada um dos demais meses do ano.

O ato heróico do GM lembrou a importância de manter as autoridades policiais capacitadas para atender ocorrências desse tipo. Atualmente, o Corpo de Bombeiros de São Paulo oferece o curso “Abordagem Técnica a Tentativas de Suicídio”, enquanto a Polícia Militar ministra os cursos de “Gerenciamento de Crise” e “Negociação em Ocorrências com Reféns e Suicidas”.

Todas as capacitações incorporam técnicas desenvolvidas pelo major Hugo Araújo Santos, especialista no assunto. Ele adaptou uma doutrina que estuda o comportamento suicida às técnicas policiais já usadas com reféns. “Quando a ocorrência envolve um refém, trata-se de um criminoso que pretende fugir e sair vivo da situação. O suicida não, por isso o jeito de negociar tem que ser diferente”, afirma. Ele já atendeu cerca de 40 ocorrências de suicídio em sua carreira, todas com final feliz.

O oficial conta que, antigamente, não existia uma tentativa de conversar com o suicida. “Uma equipe de suporte distraía a pessoa enquanto outra realizava uma intervenção física para afastar o suicida do perigo. Ele era levado ao hospital e, quando o efeito do tranquilizante passasse, a probabilidade de tentar de novo era grande”, afirma.

Uma análise recente de estudos sobre pessoas que já haviam tentado se matar anteriormente revelou que uma a cada 25 voltou a atentar contra a própria vida até cinco anos depois da primeira tentativa. “A negociação é mais eficaz porque quando você convence a pessoa a viver, as possibilidades de recuperação psicológica são maiores”, diz major Hugo.  Ele conta que o policial precisa ter o perfil certo para se especializar nesse tipo de ocorrência. “É preciso saber ter escuta ativa, ser compreensível e comunicativo. O vínculo de empatia só é criado quando o suicida se identifica com o agente”, explica.

Em comparação à intervenção física, a negociação é mais imprevisível. “Já fiquei em negociações que duraram 15 minutos e outras de mais de 10 horas de convencimento”, conta o policial. “Quando a pessoa já possui um quadro de esquizofrenia ou transtorno mental grave, a intervenção física é quase inevitável. A negociação funciona melhor nos outros casos”.

Dados
Entre os 23 casos ocorridos este ano em Jundiaí, 16 foram cometidos por homens e sete por mulheres. Oito vítimas tinham entre 20 e 29 anos, e outras sete entre 30 e 39. Cinco casos envolviam adultos de 40 a 49 anos.

Aos 29 anos, Nathália Soares não conseguiu fugir das estatísticas. A jovem instrutora de uma empresa de excursões viajava frequentemente para a Disney e era conhecida por sua alegria, mas lutava contra uma depressão severa há cerca de dois meses. “Mesmo fazendo acompanhamento médico, não conseguimos evitar”, conta Renata Soares, tia da vítima.
A família lançou a campanha “Depressão não é frescura” nas redes sociais, com grande repercussão na cidade.

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