Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Jundiaí ‘respira’ as artes marciais

FELIPE TOREZIM | 29/04/2018 | 05:30

Em tempos de UFC (Ultimate Fighting Championship – organização de artes marciais mistas que produz eventos em todo o mundo), a moda é a busca por lutas como MMA, Muay Thai e jiu-jítsu. Porém, na contramão desta mania, ainda há muitos praticantes de modalidades que ficaram “esquecidas” com o passar dos anos. E Jundiaí oferta várias delas.

Praticantes de kung fu fazem aquecimento. Alunos são atraídos pelos ganhos na parte física e a filosofia da arte

Praticantes de kung fu fazem aquecimento. Alunos são atraídos pelos ganhos na parte física e a filosofia da arte

Thiago Antonio de Oliveira Silva, de 29 anos, queria praticar uma arte que valorize a defesa pessoal e, há cinco anos, buscou o kung fu. “As técnicas e movimentos sempre me agradaram. Assistia filmes sobre isso e ficava admirado. A filosofia também foi algo que me chamou atenção e hoje não vivo mais sem o kung fu, pois ele é uma terapia”, conta.

Esta modalidade é uma arte milenar com origem chinesa. Segundo o professor Francisco D’Urbano, de 56 anos, praticante desde os 19, o verdadeiro nome é Wu Shu.“Kung Fu significa ‘muita habilidade desenvolvida com o tempo’. E quando a arte começou a vir para o ocidente, os americanos se impressionaram e os chineses falavam que era kung fu. O nome acabou pegando e se tornou conhecido no mundo todo”, explica D’Urbano, que ainda revela existir centenas de estilos ao redor do planeta. “No sul da China, eram trabalhados mais as pernas, já no norte era muito comum trabalhar em barcos e com água até o joelho. Então eles desenvolveram mais os braços e as mãos”, emenda.

Marcelo, Evandro e Fábio na aula de aikido de uma academia da Vila Municipal

Marcelo, Evandro e Fábio na aula de aikido de uma academia da Vila Municipal

Ainda segundo o professor, a arte começou a ganhar força no ocidente em meados da década de 1980, quando os filmes do Bruce Lee “estouraram”. Ele explica que o kung fu é baseado em três pilares filosóficos. “São eles o budismo, para buscar a perfeição em tudo o que está fazendo, o taoísmo, para complementar as energias negativas e positivas, e o confucionismo, para exaltar a educação e o respeito.”

Aikido
A pouco mais de três mil quilômetros da China, o Japão foi berço de outra arte marcial, praticada atualmente em todo o mundo – o aikido. Foi desenvolvido pelo mestre Morihei Ueshiba na década de 30. Porém, segundo o professor de uma academia jundiaiense, Evandro Mário dos Santos, de 41 anos, a divulgação do aikido começou a ser feita pelo filho de Morihei, chamado de Kissoumaro Ueshiba. “O criador da arte, conhecido como “O-Sensei”, estudou várias artes para criar o aikido. Por ser uma coisa familiar, não havia divulgação e coube ao Kissoumaro divulgar para o mundo em meados da década de 1950, já que ele tinha medo da arte morrer no Japão”, revela. Hoje, o detentor da arte é Moriteru Ueshiba, neto de Morihei.

Evandro explica que o aikido é composto por três ideogramas (símbolo gráfico ou desenho que representa um objeto ou ideia ) – “Ai” (significa harmonia), “Ki” (energia total) e “Do”, que significa caminho. “A ideia era criar a arte da paz. Trabalhamos com a energia do oponente. Não há ataque, apenas desarme. É uma defesa pessoal”, argumenta o professor, que complementa dizendo que o aikido resgata a tradição dos samurais nas vestimentas, conduta e respeito.

Para o consultor de empresas Fábio Oliveira, de 37 anos, o aikido é perfeito pela filosofia e estilo de luta. “Não gosto do estilo de luta no chão e, como tenho 1,67 de altura, o aikido se encaixou perfeitamente”, brinca o faixa verde, que pratica há seis anos e considera ter tido uma mudança de vida radical, com menos estresse e crises de ansiedade e mais concentração.

Com menos de dois meses de prática, o comerciário Marcelo Arantes, de 50 anos, compartilha da opinião de Fábio. “O aikido tem um clima de amizade e de busca pelo respeito. Isso me cativou”, garante. “Aqui é cultivada a cultura de paz e de evitar o conflito. Há troca de energia e isso me completa”.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/jundiai-respira-as-artes-marciais/
Desenvolvido por CIJUN