Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Jundiaí tem 388 empregos para cada mil habitantes

SOLANGE POLI | 19/06/2019 | 05:01

Desemprego e queda na renda estão entre as maiores preocupações dos brasileiros. O cenário em Jundiaí também é de alerta, mas o município está à frente das 20 maiores cidades paulistas na geração de empregos formais. Segundo os últimos dados divulgados pela Secretaria do Trabalho do Ministério de Economia, a cidade proporciona 160.947 empregos formais para os seus 414.810 habitantes. A relação é de 388 empregos formais para cada grupo de mil habitantes.

O economista Gildo Cantelli traçou um panorama geral com um levantamento sobre o número de empregos formais dos últimos anos, destacando a proporcionalidade frente a municípios importantes, entre eles a Capital paulista. A relação supera a de outros importantes municípios do Estado. Em São Paulo, por exemplo, a relação é de 345 empregos formais por mil habitantes. Em Campinas, 319 empregos formais. Já em Sorocaba essa relação é de 282 empregos formais por mil habitantes, enquanto em Guarulhos, 232 empregos formais por mil habitantes.

No Estado de São Paulo, com seus 645 municípios, são 12.084.312 empregos formais para 45.538.936 habitantes, com uma proporção de 265 empregos formais num grupo de mil habitantes. No Brasil (5.570 municípios), são 38.724.263 empregos formais para 208.494.900 habitantes, com uma relação de 186 empregos formais por mil habitantes. O levantamento segue os últimos dados divulgados, em abril, pelo Ministério.

“Houve uma queda se compararmos com o mesmo período de 2012, quando foram 471 empregos formais criados, na mesma proporção. Portanto, menos 83 vagas para cada mil habitantes, levando em conta os períodos de instabilidade provocados pela crise econômica no País. Jundiaí se destaca frente às 20 maiores cidades paulistas”, analisa Cantelli. O setor de serviços, lembra ele, foi o que mais gerou vagas, com 73.375 empregos formais, representando 45% do total gerado em Jundiaí. Na sequência, Cantelli aponta a indústria de transformação, com 43.075 empregos, respondendo por 26% do total. Na terceira posição vem o comércio, com 37.420 vagas formais, 23% do montante de empregos criados.

Edison Maltoni, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sincomercio de Jundiaí, concorda que o setor de serviços é o que mais se destaca atualmente. “Sou um entusiasta. Se está gerando empregos é porque tem gente acreditando, o consumo está aumentando, com um reabastecimento e um varejo eclético, tudo fazendo a roda girar”, avalia o presidente, lembrando que muitos empreendedores são aqueles que perderam o emprego e abriram empresa no setor de serviços, o que demandou investimentos e contratações de mão de obra.

Jundiaí está acima da média de grandes cidades paulistas

O empresário William Rodrigues da Silva fez novas contratações recentemente em sua auto-elétrica, instalada em Jundiaí. “Ontem mesmo começou um novo funcionário. Trabalhamos das 7h às 19h e a quantidade de serviço é intensa. Com o aumento na demanda, é importante dar oportunidade a quem está em busca de emprego”, afirma, ressaltando que tem 15 funcionários atualmente.

Daniella Domingues, 46 anos, foi contratada na empresa em março deste ano. “Trabalho agora na área administrativa. Sou formada em Educação Física e mudei completamente de área, mas tenho experiência com clientes e isso ajuda muito. Estava fora do mercado e fiquei cerca de um ano e meio procurando uma recolocação. É sempre muito bom aprender coisas novas, enfrentar os desafios, com garra e vontade”, comemora a funcionária.

Para Messias Mercadante, Gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia da Prefeitura de Jundiaí, os dados do Ministério da Economia revelam que Jundiaí está acima da média de importantes e grandes cidades paulistas, o que a destaca tanto no cenário nacional quanto internacional, em função de um conjunto de fatores positivos. “Esses fatos se somam de maneira positiva, são frutos de um trabalho contínuo, um conjunto de fatores com um efeito multiplicador na atração de investimentos para Jundiaí, o que comprova o esforço da atual administração em estimular a expansão e a vinda de novas empresas”, diz o gestor, destacando ainda a mão de obra qualificada, a infraestrutura e a logística que colocam Jundiaí em situação favorável frente a outros municípios.

Crescimento
O número de brasileiros que está há mais de dois anos procurando emprego cresceu 153% desde o início da crise no mercado de trabalho, chegando a 3,3 milhões de pessoas. Os dados divulgados nesta terça (18) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), são considerados um indicador a mais da situação precária do mercado de trabalho brasileiro. Para a pesquisadora do Ipea, Maria Andreia Lameiras, o desemprego só deve começar a cair em 2020.

Com base em informações coletadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Ipea avalia que, apesar de indicativos recentes de melhora, “o mercado de trabalho brasileiro segue bastante deteriorado, permeado por altos contingentes de desocupados, desalentados e subocupados (que trabalham menos do que gostariam)”.

O instituto destaca o elevado número de pessoas procurando emprego há mais de dois anos: no primeiro trimestre de 2019, foram 3,3 milhões. No mesmo período de 2015, ano em que se iniciou a escalada do desemprego, eram 1,3 milhão de pessoas.

Esse contingente representa hoje 24,6% dos desempregados brasileiros -um crescimento de 42,2% com relação à taxa de 17,4% registrada no primeiro trimestre de 2015. Isto é, um a cada quatro pessoas sem emprego no país procura trabalho há mais de dois anos. Do total, 2 milhões são mulheres e 1,3 milhão, homens. Embora historicamente elas sofram mais com o desemprego de longo prazo, o crescimento pós-crise foi maior entre os homens.


Leia mais sobre |
Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/jundiai-tem-388-empregos-para-cada-mil-habitantes/
Desenvolvido por CIJUN