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Jundiaiense sofre com falta de acessibilidade

Thiago Avallone | 22/08/2019 | 05:00

Lucas Pincinato, 25 anos, gerente de relacionamento de um banco, é cadeirante e deixou da andar pelas ruas de Jundiaí por alegar não haver condições. O jundiaiense muitas vezes deixa de ir em locais com amigos e família, pois sabe que não terá acesso, ou que o acesso será muito difícil. Apesar dos investimentos da prefeitura, vereadores e do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Jundiaí em acessibilidade, ainda há muito a ser feito para atender às necessidades desse público.

“A maioria dos estabelecimentos não respeita a lei de acessibilidade. Não tem banheiro adaptado ou rampa de acesso. Hoje, quase não ando nas ruas devido às condições das calçadas e ainda encontro muitas dificuldades em quase todos os locais”, afirma Lucas. O gerente comenta que a questão de acessibilidade em relação ao transporte publico melhorou, mas ainda está longe de ser o ideal. Ele explica que a maioria dos terminais da cidade conta com elevadores e rampas, e os ônibus também estão melhores equipados. Porém, o problema é que os motoristas e cobradores não sabem utilizá-los. “Hoje todos os ônibus possuem elevador para deficientes físicos, mas não são todos os motoristas e cobradores que sabem mexer e o equipamento acaba quebrando facilmente por falta de treinamento”, relata.

O jundiaiense afirma que devido a tanta dificuldade é imprescindível ter um carro, para assim poder cumprir com suas obrigações. Mas Lucas tem a expectativa de que a fiscalização melhore para que assim haja uma melhora geral. “Acho que uma coisa que poderia melhorar bastante é a fiscalização por parte dos órgãos públicos. Poderiam colocar obrigatoriedade em ter o mínimo necessário e não liberar o alvará até que tenha os requisitos de acessibilidade”, ressalta Lucas.

De acordo com prefeitura de Jundiaí, qualquer estabelecimento do município deve apresentar certificado de acessibilidade. Isso é feito por um profissional engenheiro civil ou arquiteto. Só então recebe a autorização para o funcionamento. “A Prefeitura Municipal de Jundiaí não tem um órgão que analisa, aprova ou fiscaliza a questão da acessibilidade. Mas existe a questão da Responsabilidade Indireta, pois quando é elaborado um projeto para uma edificação, o profissional responsável assume perante o órgão de classe a responsabilidade de atender às normas técnicas de acessibilidade”, afirma a prefeitura por meio de nota.

Levantamento
Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Jundiaí, Ivanilde de Jesus explica que a cidade conta com uma comissão especifica para discutir, propor e fiscalizar as ações de acessibilidade no município.
“Nos últimos anos as ações têm acontecido de forma pontual, a partir do levantamento da necessidade. Com as demandas, diversas ações foram realizadas: visita a Câmara Municipal, proposição de acessibilidade na Câmara Municipal e no entorno, visita ao Procon com diversas sugestões de adequação da acessibilidade, parceria no Programa Bom Motorista, orientações ao motorista sobre o atendimento a pessoa com deficiência no transporte publico municipal, além das reuniões mensais com a diretora do Departamento de Transportes, Ana Paula Silva Almeida, debatendo e propondo ações para melhoria no transporte”, explica Ivanilde.

Já a prefeitura relata que o legislativo também tem contribuído para a melhoria da acessibilidade em Jundiaí aprovando algumas leis que priorizam os deficientes físicos. Entre elas, lei que determina que os supermercados ofereçam um funcionário treinado para ajudar a pessoa com deficiência; mapeamento sócio geográfico para quantificar o número de pessoas com deficiência em Jundiaí; implantação de plaquetas com prefixo do ônibus em braille, na parte dianteira onde fica o deficiente; fixação do informe ‘Lei de embarque ou desembarque’ fora do ponto na parte dianteira dos ônibus.


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