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Jundiaiense tem que lutar para driblar crise

ANGELO AUGUSTO | 25/08/2019 | 05:00

O Brasil vive as consequências da forte crise econômica que se iniciou no ano de 2014. Desde então, dados mostram que a desigualdade social no país só aumentou: aquele 1% mais rico acumulou ainda mais capital, enquanto o rendimento dos 50% mais pobres despencou 17,1% e o da chamada classe média, que abrange 40% da população, caiu 4,2%. Em relação à idade, os jovens entre 25 e 29 anos foram os que mais sofreram, perdendo cerca de 15% de sua renda.

Em Jundiaí, o número de empregos diminuiu de forma considerável entre 2014 e 2017 e vem aumentando gradualmente desde o final de 2018. O primeiro semestre desse ano também mostrou um crescimento: foram 21.801 contratações e 20.318 demissões: um saldo positivo de 1.483 empregos formais. Por conta disto, os jundiaienses têm buscado alternativas ao emprego formal.

A principal perda está na indústria. Marcelo Cereser, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) afirma que, em 2018, o setor representou 11,8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, uma quantia considerada baixa quando comparada com o período de maior efervescência da industrial no país – que aconteceu no ano de 1985 – onde o setor industrial foi responsável por 21,8% do PIB nacional. O retrocesso chegou a mesma porcentagem que era vista durante os anos 50: em 1952, por exemplo, 11,4% do PIB brasileiro era oriundo de atividades industriais.

“Essa queda foi resultado do intervencionismo que os governos anteriores promoveram na economia do país, como o congelamento do câmbio. Mas isso fez com que investidores estrangeiros tirassem seus investimentos do Brasil, e o resultado foi que a atividade industrial, que é a responsável pela geração de empregos formais de qualidade, caísse consideravelmente”, relata Marcelo.

Administração pública
Messias Mercadante de Castro, gestor de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Jundiaí, afirma que a concentração de renda se dá pelo fato de que os mais ricos estão receosos em relação a novos investimentos, tendo preferido deixar a maior parte do capital retido em locais como poupanças ou aplicações. “A saída desse capital armazenado só se dará com o aumento da atividade econômica e isso terá de ser de forma gradual e sustentável. Mas, para isso, alguma atitude tem que partir do poder público, para incentivar que os detentores de riquezas façam mais investimentos. A liberação do FGTS e a reforma trabalhista foram duas ações positivas em relação à atividade econômica, mas ainda é muito pouco”, completa.

Para o gestor de Governo e Finanças, José Antonio Parimoschi, dificilmente as vagas industriais irão retornar à economia. “O setor mudou, com a chegada da indústria 4.0 e seu consequente downsizing.” Para o gestor, cada vez mais serão abertas vagas nas áreas de tecnologia de informação e serviços. “O setor de serviços é o principal responsável pela empregabilidade atual, desde que exista um ambiente econômico favorável.”

O economista Lereno Soares afirma que o aumento de empregos informais fazem com que a recuperação da economia seja mais lenta. “Dados mostram que um trabalhador formal é quatro vezes mais produtivo que um não formal. Um tipo de trabalhador agrega mais ao nosso PIB no que outro e o que se espera é que o trabalhador seja o mais produtivo possível. O fato de as pessoas estarem no setor informal ou trabalhando por conta faz com que as vagas de emprego disponíveis demorem mais para serem completadas, pois o trabalhador vai pensar duas vezes antes de se desfazer do seu negócio, da sua clientela, do fato de trabalhar para si mesmo etc. A volta para o emprego formal não é certa”, completa.

Casos
Albano Braga Oliveira, de 36 anos, foi demitido da empresa onde trabalhou durante 18 anos e hoje é adestrador de cães.

Durante o período que esteve desempregado, Albano ficou sabendo da existência de um curso para o adestramento de cães na cidade de Cardoso, SP, mas não possuía todo o dinheiro necessário para bancar o curso. “Comecei a correr atrás de juntar a quantia em dinheiro necessária e, para isso, arrumei um emprego provisório como entregador de materiais de construção. Foram sete meses nesse trabalho e essa foi a parte mais dolorosa. O investimento total ultrapassou os R$ 5 mil e não era garantia que eu teria retorno”, relata.

Hoje em dia o adestrador se diz realizado profissionalmente. “No começo tive várias dificuldades, mas me empenhei bastante e acabou dando tudo certo.”

Entretanto, ainda existem diversas pessoas que precisam de ajuda para completar a renda da família, como Patricia Cristiane Ferraz Felippe, de 46 anos, que mora no bairro Vista Alegre e depende das doações de alimentos. Sua família é composta por três pessoas: ela, o marido e o filho de 12 anos e passa por algumas dificuldades devido principalmente à falta de emprego fixo.

Patricia é diarista e conta que está muito difícil arranjar trabalho. “Meu marido é jardineiro e está trabalhando, mas não é suficiente para pagar todas as contas. Eu estou procurando uma vaga, pode ser em limpeza, ou como empregada doméstica, mas está muito difícil arranjar alguma coisa”, diz.

Patrícia é diarista e diz que depende de doações mensais de alimentos

Albano Braga foi demitido e hoje trabalha com adestramento de cães


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