Jundiaí

Jundiaienses em busca de uma vida melhor no exterior


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Crédito: Reprodução/Internet
A vida no exterior é o objetivo de muitos jundiaienses. Alguns com a intenção de trabalhar, outros de estudar e outros que apenas querem viver fora do país. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores hoje são aproximadamente 2,5 milhões brasileiros espalhados pelo mundo e só ano passado 22,4 mil compatriotas entregaram a declaração de saída definitiva do país, número maior do que 2017, que foi de 21,2 mil. DUBLIN Bruno Milani, jundiaiense de 22 anos, saiu do Brasil em 2016. Era vendedor de uma loja de surf e escolheu ir sem garantia alguma para Dublin, na Irlanda. Durante sua adolescência, Bruno via pelas redes sociais a vida de seus primos que moravam na Inglaterra e aquilo o fazia sonhar com a experiência de viver em outro país. O jundiaiense trabalhou desde cedo e guardou seu dinheiro já com foco de ir atrás de seu sonho quando completasse a maioridade. "Eu sempre via as fotos dos meus primos no exterior pelas redes sociais e aquilo passou a ser um desejo enorme. Meu sonho acabou não dando muito certo pois a primeira intenção era Austrália e acabei tomando um calote de uma empresa de intercâmbio. Isso quase acabou com meu sonho, mas apareceu um amigo que estava indo para Dublin e, em uma semana, fiz minha mala e fui para um lugar que nem imaginava", explicou Bruno. Como não conhecia ninguém no país, apenas o amigo brasileiro, a preocupação maior e urgente de Bruno era procurar um emprego para pagar as contas e se manter. “Diferente do que muitos pensam, a maioria dos brasileiros acaba trabalhando em subempregos. Isto acontece por não falarem o idioma local e também porque muitas vezes o diploma brasileiro não é válido, como acontece com os engenheiros e advogados. Eu mesmo consegui trabalho logo no meu segundo dia como limpador de carro", explicou Bruno. Depois de trabalhar num lavacar, ele foi ajudante de cozinha onde fez amizades com pessoas do mundo todo e pôde conhecer um pouco mais de outras culturas da Europa. "Trabalhei durante 1 ano e 2 meses de "kitchen porter", lavando louça durante 7 e 9 horas por dia e isso me rendeu muita experiência, pois havia cinco chefes de cozinha, cada um com sua nacionalidade. Tinha italiano, irlandês, polonês, romeno e brasileiro e com isto comecei a treinar meu inglês”, conta Bruno. Além de trabalhar como ajudante de cozinha, na madrugada ele levava pessoas de um lugar para o outro de bicicleta, a chamada riquixá. "O trabalho com a bicicleta me permitiu conhecer diferentes pessoas todos os dias, praticava muito meu inglês e fazia muitos contatos. Nessa época conheci três brasileiros que se tornaram meus amigos e hoje são meus sócios na produtora que criamos", relatou. Hoje o brasileiro tem uma produtora de eventos e já levou para as terras irlandesas artistas brasileiros como Felipe Araújo, Nando Reis, Mc Kekel, Jerry Smith, entre outros. Ele afirma que não pretende mais morar no Brasil e que só deve voltar para visitar a família nas férias, pois agora busca se estabilizar na Europa e crescer no mercado de eventos musicais. EUA m dos destinos mais visitados pelos brasileiros é a Califórnia e foi para lá que a estudante de engenharia química Lívia Carlete, de 24 anos, decidiu ir. Para desenvolver seu inglês e mergulhar em uma nova cultura, a jovem estudante trancou sua faculdade para se arriscar como babá em terras norte-americanas. Mas o seu sonho de viver o "dream of californication" foi interrompido por uma situação não muito agradável. A família em que a jovem trabalhava não era exatamente o que ela esperava. Após alguns episódios em que uma das filhas a tratou mal, ela decidiu em acordo com a matriarca da família que seria melhor trabalhar em outra casa. "Infelizmente eles têm essa cultura do bullying muito forte. A filha mais velha me dava ombrada me confrontando, como aquelas cenas que vemos nos filmes. Uma vez chegou a me trancar pra fora" explicou Lívia. De acordo com a estudante, a Califórnia acabou não sendo uma experiência tão legal como esperava, pois a impressão que ficou foi de que as pessoas acabavam sendo muito superficiais e preconceituosas. Sendo assim, ela buscou outra casa que pudesse trabalhar porque não queria desistir de seu sonho. E deu certo. Ela encontrou em outro estado, em outra cidade, uma nova família para trabalhar como cuidadora. Família, aliás, bem diferente da última experiência. "Eu fui da Califórnia, uma cidade muito legal chamada Pacific Palisades, que fica entre Santa Monica e Malibu, para uma cidadezinha pequena perto de Seattle. Teoricamente uma mudança que a maioria das pessoas não iria querer fazer, mas pra mim deu tudo certo. Aqui onde estou é no meio do nada, porém a família é incrível e, por mais que seja no meio do nada, tem natureza e jardim pra todo lado, o que me encanta", relatou a jundiaiense que volta para o Brasil em fevereiro para continuar a faculdade. Itália Caso contrário ao de Waldir de Lima, 28 anos, natural de Várzea Paulista. Ele passou toda infância e adolescência jogando futsal pelas principais quadras da região e, em 2008, quando tinha 17 anos, recebeu uma proposta para ir jogar na Itália. Por optar por este esporte, Waldir precisou abrir mão do sonho da faculdade para realizar o seu outro sonho: o de se tornar jogador profissional. "Sempre joguei bola, desde meus 5 anos, e com 17 anos recebi a proposta para jogar em Torino (Turim), que foi meu primeiro time na ‘velha bota’. O começo foi um pouco difícil, devido ao idioma e a distância de casa, mas por outro lado ter saído da zona de conforto cedo, aprender a me virar sozinho, me tornar fluente uma nova língua, conhecer novas culturas e me confrontar com pessoas do mundo todo, foi tudo muito positivo." Ao contrário dos salários polpudos do futebol de campo, os jogadores profissionais de salão vivem uma realidade diferente. Sem receber salários mirabolantes, alguns até precisam de um segundo emprego para somar. Waldir, além de jogador, trabalhava em uma loja de ferramentas. Hoje no Brasil, após o fim do último contrato em junho, Vavá, como é carinhosamente conhecido nas quadras italianas, estuda a possibilidade de voltar à Itália para a próxima temporada. Austrália Além da Europa e da América do Norte um dos outros pontos preferidos dos jundiaienses devido ao clima ser parecido com o do Brasil é a Oceania, mais especificamente Austrália. Gabriel Carlota, de 27 anos, decidiu trocar Jundiaí por Sidney. Jovem que estudou nas melhores escolas da cidade e se formou em Publicidade, foi procurar sua oportunidade de trabalho bem longe de São Paulo. Em dezembro de 2017, após se decepcionar por não conseguir encontrar emprego com condições dignas no Brasil, ele pediu as contas, vendeu seu carro e embarcou na sua tentativa de uma vida melhor. Assim como Bruno Milani, Gabriel decidiu mergulhar na oportunidade de viver em outro país. Trabalhou em um lavacar de luxo, foi ajudante de cozinha, ajudante de obras e hoje, após quase dois anos, tira sua renda trabalhando como motorista de mudanças. "Aqui eu consigo juntar uma grana, vivencio várias culturas, consigo desenvolver meu inglês. Apesar de não trabalhar na minha área, tudo vale muito a pena", concluiu Gabriel. Algo em comum entre todos os jundiaienses da reportagem é a saudade de casa, da família e dos amigos. O idioma é a maior dificuldade encontrada, mas a nova oportunidade de vida,conhecer novas culturas e a experiência de estar fora do Brasil vale a pena por todo aprendizado. [caption id="attachment_66606" align="aligncenter" width="800"] Bruno Milani, 22 anos, produtor de eventos em Dublin[/caption] [caption id="attachment_66607" align="aligncenter" width="800"] Lívia Carlete, 24 anos, Au pair em Seattle[/caption] [caption id="attachment_66608" align="aligncenter" width="800"] Waldir de Lima, 28 anos, jogador de futsal na Itália[/caption] [caption id="attachment_66609" align="aligncenter" width="1200"] Gabriel Carlota, 27 anos, motorista de mudanças em Sidney, na Austrália[/caption]

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