Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Leishmaniose: Vigilância epidemiológica diz que Jundiaí não tem presença do vetor da doença

NIZA SOUZA E FOLHAPRESS - redacao@jj.com.br | 10/03/2018 | 04:56

Em Jundiaí não há registros de casos de leishmaniose visceral em cães ou em humanos. Segundo o gerente da Unidade de Vigilância de Zoonoses, Carlos Ozahata, desde 2006 vem sendo feitos estudos que comprovam que na cidade não há presença do lutzomyia longipalpis (espécie de mosquito flebotomíneo), o vetor da doença, apesar de registros de alguns casos em caninos em municípios limítrofes. Entretanto, um estudo inédito sobre a dispersão territorial da leishmaniose visceral no estado de São Paulo mostra que a doença se espalha por municípios paulistas margeando rodovias principais e radiais e que avançará para a capital, como ocorreu em Belo Horizonte (MG), Natal (RN) e Campo Grande (MS).

De acordo com Ozahata, há mais de dez anos a Zoonoses de Jundiaí estuda a movimentação da doença no Estado e no Brasil. Tanto que esse trabalho aproximou o município do Instituto Adolfo Lutz e transformou Jundiaí em referência na Região para o teste rápido para diagnóstico da leishmaniose em caninos. “Apesar de a cidade não ter registro de casos da doença é sempre uma preocupação e estamos sempre atentos”, afirma. O gerente da Zoonoses diz ainda que os médicos veterinários da cidade estão preparados para diagnosticar a doença. “Fazemos capacitação com esses profissionais frequentemente. A última foi no ano passado. Falamos da doença, da forma de transmissão, dos sintomas e da conduta que a gente recomenda”, afirma.

Pesquisa
Araçatuba e Birigui, no oeste do estado, foram as primeiras cidades a notificar casos autóctones em 1999. Em 2017, 97 municípios (15% do total) já tinham registros. No acumulado em 18 anos, são quase 3.000 casos. “A doença fatalmente chegará à capital. Do ponto de vista epidemiológico, é a crônica de uma morte anunciada. Quando olhamos a dispersão dos casos, eles vão na direção certinha de São Paulo. É só uma questão de tempo”, afirma o infectologista Luiz Euribel Prestes Carneiro, orientador da pesquisa. O trabalho é fruto de uma dissertação de mestrado do médico Rodrigo Sala Ferro defendida na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista) e que usou dados da Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) e da Secretaria de Estado da Saúde.

Outra preocupação, segundo Carneiro, é que a leishmaniose visceral tem se espalhado em saltos. Em 2016, por exemplo, ela chegou a Guarujá, a 400 km das regiões tradicionalmente endêmicas. A transmissão predominante ainda é por contiguidade, ou seja, um município que possui o mosquito, cães ou indivíduos infectados transmitem para o vizinho. Em alguns casos, a transmissão em saltos tem explicação parecida: a pessoa se muda e leva o cão infectado para outra cidade. Ali ele é picado pelo mosquito, que, por sua vez, pica o homem. A maioria das pessoas infectadas não desenvolve a leishmaniose visceral. Mas quando não diagnosticada e tratada a tempo, ela mata em 90% dos casos. Não há vacina que previna a doença.


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/leishmaniose-vigilancia-epidemiologica-diz-que-jundiai-nao-tem-presenca-do-vetor-da-doenca/
Desenvolvido por CIJUN