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Leite mais caro faz jundiaiense diminuir consumo

GUSTAVO AMORIM | 02/08/2018 | 05:20

“Minha filha tomava leite quando acordava e antes de dormir. Agora, é só de manhã, e não é todos os dias que têm”. É dessa forma que Marília Cristina Quitério está tentando se virar para que a Lorrane, de 7 anos, ainda tenha o leite em sua alimentação. Isso porque, desde o início do ano, o preço pago pelas empresas aos produtores subiu 44% em vários estados do Brasil, de acordo com uma pesquisa do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (CEPEA), da Universidade de São Paulo (USP). E esse aumento é repassado ao consumidor final.

“Eu chegava a comprar duas caixas com 12 litros cada por mês, mas agora só compro de dois em dois litros. Quando acaba, se tiver dinheiro, eu compro mais”, conta Marília, que também precisa equilibrar as contas com os demais produtos que vão à mesa. “Agora, o litro está quase R$ 4,00, mas já vi até por R$ 4,29. E tudo está aumentando”, diz. Ela conta que comprar leite em pó não compensa.

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Grande parte desses 44%, de acordo com o CEPEA-USP, ocorreu em junho, depois da paralisação dos caminhoneiros: 14%, com o preço R$ 1,4781/litro pago aos produtores na chamada “média Brasil”, que inclui os estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O preço ainda não contabiliza frete e impostos, colocados pelas empresas para a venda ao consumidor final. “Desabastecidos, os laticínios acirraram a competição para a compra de leite no campo no correr de junho, com o objetivo de recompor estoques”, explica a nota do CEPEA-USP.

Em Jundiaí, dois programas auxiliam crianças carentes a receber leite para sua alimentação diária. O Vivaleite, do Governo Estadual, concede 15 litros de leite enriquecido com ferro e vitaminas a cada beneficiário do programa. Segundo a administração municipal, 511 crianças são beneficiadas na cidade. A prioridade, segundo o governo estadual, é para famílias com renda mensal de até um quarto de salário mínimo per capita. Têm direito crianças entre 6 meses e 5 anos e 11 meses através do Cadastro Único.

Já o Programa Municipal de Incentivo ao Combate às Carências Nutricionais (PICCN), da Prefeitura de Jundiaí, permite que 68 “bebês clinicamente diagnosticados com a necessidade do uso” recebam leite materno para ajudar no desenvolvimento. Na última terça-feira, a administração municipal lançou o Comitê Municipal de Aleitamento Materno, “que tem por objetivo fortalecer a rede de apoio à amamentação, realizando levantamento de dados e orientação sobre ações específicas”.

Foto: Rui Carlos

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