Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Linguagem dos livros clássicos emperra leitura de alunos que prestarão vestibular

KATIA APPOLINARIO | 25/06/2018 | 05:25

Como se não bastasse a avalanche de conteúdos exigidos, as poucas vagas e a alta concorrência, ainda é preciso enfrentar a leitura das obras literárias obrigatórias para que o sonho da universidade pública se torne realidade. Para alguns, a tarefa pode ser prazerosa, mas para outros, acaba se tornando um pesar.

A jovem Vitória Letícia Alves, de 18 anos, durante toda a vida estudou em escola pública e, após se formar no ensino médio, optou por ingressar em um cursinho para complementar seu conhecimento e conquistar uma vaga no tão concorrido curso de medicina na Universidade de São Paulo. “Já li sete dos vinte livros exigidos entre USP e Unicamp”, afirma a jovem, que está ligeira quanto às datas dos vestibulares e que procura manter um bom ritmo de leitura, ainda que julgue a maioria das obras desinteressantes.

CONHEÇA A BIBLIOTERAPIA E COMO A LEITURA PODE COMBATER A ANSIEDADE

CLIQUE AQUI E LEIA OUTRAS NOTÍCIAS SOBRE JUNDIAÍ

A professora de literatura, Nathália Mondo, de 27 anos, alega que a linguagem das obras e a dificuldade dos jovens interpretá-las são os principais entraves para a leitura. “Sinto que com boa parte dos livros há um estranhamento se o jovem ler sem o auxílio de um professor, porque, por serem de épocas bem mais antigas, eles acabam não tendo significado para os alunos”. Além disso, de acordo com a professora, a obrigatoriedade os torna menos atrativos para os jovens. “Eles não estão lendo porque querem e sim porque alguém, que nem é o seu professor, escolheu aquilo para eles, por motivos que não são explicados, por exemplo, nos manuais do candidato”, complementa a educadora.

A estudante Sara Alves, de 19 anos, está indo para o terceiro ano de cursinho, almeja uma vaga no curso de biomedicina e confessa que, devido à alta carga de conteúdo, tem investido nos “resumões”. “Tenho focado nas matérias de exatas, que são as que eu tenho maior dificuldade, e acabo recorrendo aos resumos e à análise das obras”, conta a jovem. Mas ler apenas o resumo pode ser arriscar-se demais. “Um resumo ajuda a reavivar a memória na hora de estudar para as provas. Mas ele deve ser feito depois da leitura do original”, frisa a professora.

Trazer a literatura para a realidade dos jovens pode diminuir esse abismo e tornar a leitura mais prazerosa. Recentemente, por exemplo, a Unicamp acrescentou o disco “Sobrevivendo no Inferno” do grupo brasileiro de rap Racionais MC’s à lista de obras exigidas no vestibular de 2020. “Colocar outros gêneros, como a música, o roteiro de filmes, que esbarram com a literatura, é muito importante para a formação crítica do aluno e apreensão do que pode ser arte. Ainda mais uma obra atual, ainda ouvida por eles, com uma temática tão necessária como a desigualdade, a violência o preconceito”, reitera Nathália Mondo.

FOTO: ALEXANDRE MARTINS

FOTO: ALEXANDRE MARTINS


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/linguagem-dos-livros-classicos-emperra-leitura-de-alunos-que-prestarao-vestibular/
Desenvolvido por CIJUN