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Lojistas aguardam ansiosos a retomada oficial do comércio

Nathália Sousa | 29/05/2020 | 05:00

O plano de reabertura do comércio em Jundiaí deve ser publicado hoje (29) segundo adiantou a Prefeitura de Jundiaí e, enquanto isto não acontece, comerciantes continuam atendendo os clientes de forma controlada, mas aguardam a oficialização do decreto para voltar à rotina.

“É fundamental que, neste momento, as pessoas não interpretem essa nova fase como liberação total. Precisamos nos resguardar e continuar nos protegendo. Se não tivermos responsabilidade para conduzir essa volta gradual, haverá aumento de casos e o retrocesso para a fase mais restritiva, conforme prevê o Plano São Paulo”, alerta o prefeito.

O proprietário de uma loja de roupas e calçados na Ponte São João, Yuki Nashiro, de 47 anos, diz que já tem tomado algumas providências para manter a assepsia do local. “Máscara, álcool em gel, limpeza todos os dias com desinfetante e água sanitária e também deixo um pano com cândida na entrada para limpar os pés”, explica.

Yuki diz que não teve problema com clientes que se recusaram a usar máscara. “Acho que a população já está mais ciente, mas algumas pessoas entram na loja e tiram. Acho que por não ter o costume de usar, aí peço para colocar novamente”, conta.

Edvaldo Catini, com precauções, permitirá que os clientes voltem a comprar

Em parceria com a esposa, Edvaldo Catani, de 52 anos, tem uma loja de roupas. Ele mantém o funcionamento apenas para retirada de pedidos feitos pela internet e para trocas, mas tudo com restrição. Ele deixa a entrada da loja parcialmente fechada por manequins, disponibiliza álcool em gel para os clientes e atende de máscara, assim como os clientes que também precisam usá-la para adentrar a loja. “Já teve cliente que não acredita, não usa máscara e por isso não deixei ele entrar. Preciso me cuidar, tenho pais de idade. Tenho tios médicos e eles me alertaram da gravidade da situação”, conta Catani.

Ele ainda explica que quando liberarem a reabertura oficialmente, os clientes poderão entrar para comprar, mas apenas um por vez a mantendo os cuidados. “Estou preparado para cumprir caso haja mais alguma exigência”, afirma.

Stephanie Moretti diz que as portas serão abertas, mas controle da entrada

Já a vendedora Stephanie Moretti, de 21 anos, trabalha em uma loja de chinelos e conta que as vendas on-line foram uma saída. “A gente montou um site e a pessoa pode receber em casa ou ir diretamente até a loja. Exigimos o uso de máscara, álcool em gel na entrada e entram no máximo três pessoas de cada vez. O que a gente pode fazer é trazer o produto até a porta para o cliente ver”, diz ela sobre a impossibilidade da entrada na loja.

Com a retomada pretendem alterar o sistema de abertura das portas, mantendo a barricada na entrada e o limite de entrada”, conta ela sobre a retomada oficial.

CONSUMIDORES

De modo geral, a população de Jundiaí acha o retorno necessário para que os lojistas possam retomar a renda. Por outro lado há a problemática do que aconteceria se os casos de coronavírus disparem, como observado em outras cidades do Brasil que afrouxaram a quarentena.

Andréia das Graças Rittono considera a reabertura importante para os empregos

A professora Andréia das Graças Polli Rittono, de 45 anos, acha o retorno positivo e explica que há serviços que precisam da presencialidade. “Agora mesmo eu precisei vir ao banco. Eles dizem que dá para resolver tudo pela internet, mas não é assim”.

Andréia ainda considera necessário o retorno por conta dos empregos. “Eu conheço pessoas que trabalhavam no shopping e perderam o emprego. Tinha um que trabalhava há 28 anos na mesma loja, estava há dois anos de se aposentar, e perdeu o emprego”, relata.

Lúcia Pereira Seleguin acredita que a prefeitura tem papel fundamental para a volta

A pedagoga Lúcia Pereira Seleguin, de 42 anos, diz que a prefeitura precisa analizar a situação em Jundiaí. “Se o prefeito achar que os casos estão controlados… porque hospital está lotado. Se aumentarem os casos com a reabertura, o que será de nós? Mas as pessoas precisam trabalhar, então precisa ter cuidado”, observa.

Gustavo Peotta considera o retorno importante para pequenos negócios

O analista de sistemas Gustavo Peotta, de 28 anos, conta que também é favorável ao retorno. “Limitando o número de clientes, com o uso de máscara. Muita gente, ainda mais os pequenos, estão fechando”, diz ele sobre os negócios que não resistiram à crise.

Sobre o perigo da reabertura, Gustavo pondera que é complicado jogar a responsabilidade no comerciante porque tem cliente que não acredita. “Colocar para o governo decidir, também é complicado”, diz ele, analisando a possibilidade de aumento de casos.

Joana Reis acha que retomada também depende do respeito da população

Joana Reis, de 63 anos, é vendedora autônoma e diz que o caso gera dúvidas. “Se a pessoa respeitasse distância, uso de máscara, seria bom voltar porque as pessoas precisam trabalhar. Eu digo por mim porque às vezes você está conversando com a pessoa, afastando, e ela chegando perto. Tem gente que não respeita”, fala.

As atividades em Jundiaí devem retornar gradativamente a partir do dia 1 de junho e a prefeitura conta que está pronta para a retomada com a abertura de novos leitos e a aquisição de respiradores.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio), Edison Maltoni diz que as entidades ainda estudam o plano de retomada em Jundiaí. “Recebemos o plano de retomada, o que já era previsto, e mesmo ainda estando longe do ideal, com esta reabertura gradativamente, acreditamos que isso será bom para os empresários”, diz ele.

Ele acredita que o ‘novo normal’ não será tão rápido. “Algumas pessoas ainda relutarão em consumir e sabemos que é preciso tempo para recuperar o período parado. Como entidades representativas do comércio, estamos otimistas e nos colocamos à disposição para auxiliar no que for preciso”, declara Maltoni.

O decreto municipal com as deliberações sobre normas relativas a distanciamento social, higiene pessoal, limpeza e higienização de ambientes e monitoramento das condições de saúde do trabalhadores, entre outros aspectos, será publicado assim que os protocolos sanitários forem aprovados pelo CEC. As cinco atividades previstas na flexibilização são concessionárias, imobiliárias, escritórios, comércio de rua e shoppings.


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