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Lojistas jundiaienses dizem que aumento na venda de armas reflete economia

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 24/10/2018 | 06:03

Informações obtidas recentemente pelo Instituto Sou da Paz através da Lei de Acesso à Informação (LAI) dão conta que a venda de armas de fogo no Brasil aumentou drasticamente nos últimos anos. Segundo os dados, 34.731 armamentos foram vendidos até o dia 22 de agosto, uma média de seis armas por hora. Neste ritmo, o número até o fim do ano será maior que a venda realizada em 2016 e 2017, que foi entre 40 mil e 47 mil.

A reportagem do JJ procurou duas lojas que vendem armas de fogo em Jundiaí. A Cremonesi não revela números de vendas, mas afirma que os dados obtidos pelo instituto não condizem com as vendas de armas de fogo realizadas pela loja. “Houve um aumento muito leve do ano passado para cá, mas isso é devido à melhora na economia. Sempre que o país melhora, isso reflete na venda de todos os nossos produtos, inclusive as armas”, diz o gerente Ananias Mendes.

Atualmente, para conseguir acesso a uma arma de fogo, é necessário cumprir uma série de exigências determinadas pelo Estatuto do Desarmamento de 2003, como ser maior de 25 anos, ter ocupação lícita e residência certa, não ter sido condenado ou responder a inquérito ou processo criminal, além de comprovar capacidade técnica e psicológica a cada cinco anos.

Se o objetivo for obter uma arma para autodefesa, é preciso ainda declarar a efetiva necessidade para a Polícia Federal, responsável por conceder a licença. No caso de armas destinadas à coleção, caça ou tiro esportivo, a autorização é obtida junto ao Exército Brasileiro. O processo todo pode demorar mais de seis meses e exige o pagamento de diversas taxas, fora o preço da própria arma – que costuma ser salgado.

Por este motivo, Claudia Cremonesi Pinto, responsável pela loja jundiaiense, não acredita que o atual momento político possa influenciar no aumento de vendas de armas de fogo no país. “Isso é mera especulação política. Ter armas é um hobby caro e conseguir uma autorização não é fácil”, afirma.

Ainda assim, o relatório do Sou da Paz mostra que o número de licenças concedidas pela PF passou de 3.024 em 2004 para 33.031 em 2017. Já o exército autorizou o registro de 57.886 armamentos em 2017, comparados a 27.529 registros em 2012. No total mais de meio milhão de civis possuem uma arma hoje. São 619.604 brasileiros. A reportagem procurou a loja Agroprado, que também comercializa armas de fogo na cidade, mas o responsável não quis repercutir o tema, alegando que “este não é um bom momento para debater o assunto”.

Foto: Rui Carlos

Foto: Rui Carlos


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