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Mães, pais e a preocupação em deixar os filhos sozinhos nas ruas

KÁTIA APPOLINÁRIO | 25/06/2018 | 05:40

Para a maioria dos pais, deixar os filhos saírem de casa sozinhos consiste em um processo de emancipação que envolve, simultaneamente, responsabilidade e preocupação. Isso porque casos recentes como o da jovem Vitória, de 12 anos, que ficou desaparecida por oito dias e foi posteriormente encontrada morta em Araçariguama, no interior de São Paulo, trazem à tona a necessidade de alertar as crianças e adolescentes sobre os possíveis riscos que eles correm nas ruas.

A contadora Caroline Pinheiro Alves Pinto, de 34 anos, tem dois filhos – a caçula Giovana, de 6 anos, e Vinícius, que completou 12 anos e só agora está autorizado a sair de casa sozinho. “Não me preocupa ele se perder, porque só o deixo ir a lugares que ele conhece bem. Eu me preocupo é com as pessoas que estarão na rua ou próximas a ele e o que elas podem fazer”, afirma a mãe. Já Daiana Marina de Castro, de 34, acredita que o filho André, de 12, ainda está muito novo para sair sozinho. Ela, assim como Caroline, possui dois filhos, mas só autoriza a mais velha, Thatiana, de 16, a sair desacompanhada. “Quando há alguma festa de aniversário dos amiguinhos do André, nós o levamos e o buscamos. Já a Thatiana está começando a sair agora”, conta.

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A psicóloga Patrícia Gianini afirma que não há uma idade específica para que os filhos possam sair sozinhos e aconselha que o processo seja feito gradualmente. “É preciso começar com coisas simples, como ir na casa da avó, brincar na calçada com os amigos, ir na casa do vizinho e, assim, a criança vai sentido aos poucos o gosto dessa liberdade”, explica.

A guarda municipal e coordenadora do Programa Educação para a Não Violência (EDUCAVI), Amanda Nunes, orienta os pais a manterem um diálogo constante com seus filhos e instruí-los a pedir ajuda em situações de risco. “Os pais devem passar para os filhos os números de emergência como o da Guarda Municipal (153) e o da Polícia Militar (190). O ideal é que os jovens frequentem locais nos quais haja a presença de outros adultos que possam, de fato, tomar conta deles, afinal, uma infinidade de coisas pode acontecer, não só atrocidades como nos casos recentes que temos visto, mas também um mal súbito, por exemplo”, orienta.

O Programa Educação para a Não Violência é um trabalho socioeducativo realizado pela Guarda Municipal, no qual palestras são ministradas em escolas a fim de conscientizar a população, bem como alertá-la sobre os riscos. “Eu tenho ido aos colégios para falar com professores, pais e alunos sobre as drogas, que é o produto final da violência, está na porta da sociedade e é motivo dos desajustes familiares. Realizamos um trabalho na Emeb Getúlio Nogueira de Sá, no bairro do Caxambu, e em seguida trabalharemos com a EMEB Pedro Clarismundo Fornari. Seguimos de acordo com as demandas que recebemos por ofício”, relata Amanda.

INICIATIVAS
Além do EDUCAVI, há várias outras iniciativas na cidade em prol da segurança pública, como por exemplo o “Projeto Urbanismo Caminhável”, desenvolvido pela Unidade de Gestão de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (UGPUMA), da Prefeitura de Jundiaí, no governo anterior, que tem por objetivo priorizar a circulação de pedestres em detrimento aos veículos. Esta iniciativa faz parte de um estudo realizado com o intuito de amenizar os impactos de vizinhança em áreas do centro da cidade.

Também foram implementadas ações visando o bem-estar e segurança dos alunos, como o projeto “Entre a Casa e a Escola”, que já está em prática na EMEB Deodato Janski, onde 70% dos mais de 600 alunos percorrem o trajeto entre a residência e a escola a pé. Segundo a Prefeitura de Jundiaí, a iniciativa prevê a melhoria dos calçamentos que ofereçam segurança e desenvolvimento humano enquanto se percorre o espaço.

Foto: Alexandre Martins/Jornal de Jundiaí

Foto: Alexandre Martins/Jornal de Jundiaí


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