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Maioria das pessoas espera 13º para quitar dívidas atrasadas

GUILHERME BARROS | 04/12/2019 | 05:00

O depósito das duas parcelas do 13º salário lança um dilema para as famílias brasileiras. Enquanto parte da população vai usar a renda extra para comprar presentes, boa parcela dos trabalhadores vai usá-lo para pagar contas. Especialista apontam que até 70% do salário adicional deve ser usado para pagar dívidas.

“As pessoas precisam primeiro saber qual a dívida que elas têm. Muitas nem sabem quais são elas. Depois, o próximo passo é ver qual delas tem os juros mais altos. Quanto maior são os juros, mais a dívida vai crescendo. Mas o mais importante é a negociação à vista. As empresas estão bastante receptivas com esse tipo de negociação”, analisa o educador financeiro Pedro Braggio.

O Brasil registro em 2018 o maior índice de inadimplência de sua história, com 62,6 milhões de pessoas que possuem algum tipo de dívida em atraso.

Apesar da ampliação do saque do FGTS em até um salário mínimo (R$ 998), fato que injetou aproximadamente R$ 3 bilhões na economia nos últimos meses, o perfil do consumidor não foi o esperado pelo governo.

O comércio, por sua vez, espera crescer até 5% em relação ao ano passado, número superior aos anos anteriores, quando a economia ainda patinava. “A segunda parcela é usada para presentear, decorar a casa, preparar as ceias. Agora cabe aos lojistas aproveitarem este momento para oferecer diferenciais e vantagens para atrair os consumidores”, afirma Edison Maltoni, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Jundiaí (CDL) e do Sindicato do Comércio Varejista de Jundiaí e Região (Sincomercio). “Historicamente, o benefício representa uma oportunidade de aumento do consumo”, completa.

O consumidor que pretende renegocias as dívidas, porém, deve ficar atento às armadilhas que costumam ocorrer nesta época do ano. “O consumidor não pode comprometer mais de 30% da renda total, também precisa cuidado com a renegociação parcelada. É preciso ficar atento se tem condições de cumprir o acordo.

Senão, vale a pena esperar um feirão de renegociação de dívidas. Mas ele precisa ter a consciência de que vai conseguir cumprir”, diz o chefe do Procon de Jundiaí, Adilton Garcia.

Tabu
A falta de diálogo das famílias sobre planejamento financeiro pode ser considerada um fatores do aumento do endividamento, aliada ao desemprego recorde e à lenta geração de empregos. “Geralmente os pais de gerações mais antigas não falavam de dinheiro. Esse tabu vem lá de trás, e muitos levaram isso como ordem.

Mas isso está melhorando de forma gradativa”, finaliza Braggio.

Pedro Braggio alerta para que as famílias tomem ciência das dívidas

Adilton reforça para que famílias não ultrapassem 30% do orçamento


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