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Mais da metade das vítimas de estupro são de crianças e adolescentes

NIZA SOUZA - csouza@jj.com.br | 24/03/2018 | 05:00

Mais da metade das vítimas de violência sexual atendidas pelo Hospital Universitário (HU) de Jundiaí são crianças e adolescentes. Segundo levantamento do HU, feito a pedido da reportagem, no ano passado foram atendidas 86 mulheres nessa situação, 48 delas eram menores de 18 anos, 25 na faixa etária entre 18 e 30 anos, e 13 entre 31 e 57 anos. Dos casos atendidos no hospital no ano passado, a maioria (53) reside em Jundiaí. O número é menor comparado aos estupros registrados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) em 2017, que chegou a 60. O HU também registrou casos em Cabreúva (9), Várzea Paulista (7), Campo Limpo Paulista (4), Itupeva (4), Jarinu (3), Louveira (3), Itatiba (1), Jaguariúna (1) e Francisco Morato (1).

Os casos chegam ao HU de várias formas, de busca espontânea até encaminhados pelo Conselho Tutelar, explica Marcela Arvigo, responsável pelo Serviço Social do hospital. “Quando o caso chega, a equipe médica aciona o serviço social e a gente faz o acolhimento inicial. Elas chegam aqui bastante abaladas, fragilizadas, com medo. A gente busca fazer um atendimento humanizado”, destaca. Depois do acolhimento, as vítimas recebem o tratamento profilático. Em caso de violência sexual ocorrida em prazo de até 72 horas, é administrado coquetel contendo antirretroviral (para evitar HIV), antibiótico (contra doenças sexualmente transmissíveis) e a pílula do dia seguinte. De modo geral, não é necessária a internação. “Normalmente, elas são liberadas. Mas casos em que a gente avalia que há vulnerabilidade social ou algum risco, fazemos a internação social até conseguir contato com a família, ou com a rede.” Segundo Marcela, depois do atendimento no hospital, as vítimas são encaminhadas para acompanhamento na rede municipal de saúde, no Ambulatório da Mulher, ou no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), de acordo com a demanda que a paciente apresenta.

Novo fluxo
Em Jundiaí, desde 2013 o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente mantém uma comissão permanente de Enfrentamento à Violência e Exploração Sexual contra a Criança e Adolescente, que desde o fim do ano passado vem discutindo e planejando com representantes dos Conselhos Tutelares e do Conselho Gestor de Saúde o fluxo de atendimento para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Segundo o conselho, um novo fluxo será apresentado no dia 18 de maio, Dia Nacional do Enfrentamento a esse tipo de violência, em local ainda a ser definido. Na ocasião, será também apresentada a nova resolução da comissão pela inclusão de casos de suspeita, e não somente de casos já diagnosticados e detectados, além da sistematização dos números totais de entrada, a fim de fortalecer o trabalho preventivo.


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