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Mais de 50 anos dedicados a conquistar títulos e medalhas

Thiago Batista | 14/12/2019 | 05:00

Pensou em esporte na cidade, pensou em Israel Bernardi. Mais de 50 anos dedicados às competições esportivas. Muitas horas com a sua amável bicicleta. Mas também dedicou sua vida aos campos e, nos últimos tempos, às piscinas. Uma vida inteira dedicada ao prazer de sempre estar no pódio, recebendo a recompensa por todo o esforço. São mais de 800 medalhas e troféus guardados com carinho em sua casa. E, independentemente da modalidade, pois competiu nas pistas com o ciclismo, nos campos com o futebol e nas piscinas com a natação.

A sua casa vive esporte. Para onde olhar, uma lembrança, seja medalha ou troféu, estão guardadas na sua casa, na região da Ponte São João, local onde começou no esporte. Mas o primeiro contato não foi com o ciclismo. Foi com a paixão nacional, o futebol.

“Eu fui campeão jundiaiense de futebol, em 1957, pelo Clube São João. Tenho até a faixa de campeão”, lembra-se com orgulho da conquista.

Nascido no Dia da Criança (12 de outubro de 1941), o seu primeiro contato com o ciclismo foi aos 10 anos. No ano seguinte, ganhou a Olimpíada Estudantil. E foi onde começou a sua grande série vitoriosa no esporte. “A minha prova preferida era a Média Paulista. Fui campeão por 12 vezes”, lembra ‘seu’ Israel, como é tratado por qualquer esportista da cidade.

Quase acabou em 2010
Por 43 anos ele tocou o ciclismo de Jundiaí, nas funções de técnico e atleta. Por 22 anos ainda conciliou o trabalho nas pistas com outro, na Duratex. Em 2010, um infarto, após uma competição, quase interrompeu tudo.

“Um dia antes, um primo, que morava aqui perto de casa, faleceu e eu estava no quarto de manhã. A noite participei de um jantar e fui dormir meia-noite. Acordei cinco horas da manhã e participei da corrida em Piracicaba. E após a prova, minha mão começou a formigar, meu peito crescer e eu vomitar”, conta.

“Fui para a ambulância, eles mediram a pressão e fui para a Santa Casa. O médico me viu e disse que eu estava enfartando. Moral da história: duas horas depois estava curado. Hoje tomo os remédios e nunca mais tive qualquer problema”, conta, como se nada tivesse ocorrido.

Ligação com a Ponte
Israel também promoveu eventos esportivos curiosos. Na década 80, fez a famosa Corrida das Carriolas, na Ponte São João. Quase sempre, ele ganhava. “Aqui tem muita história. A corrida teve uma edição em 1949 com João Garcia, que tinha um bar. Comecei a organizar em 1979 e me convidaram, junto com outras pessoas, para seguir promovendo. A gente ia no comércio buscar ajuda.”

“Além de correr, dava sorte de ganhar. Uma porque estava preparado pelo ciclismo e outra por também trabalhar na Duratex. Lá eu empilhava as coisas, pegava as carriolas cheias e corria igual louco. Isso me dava muita resistência. Depois de quatro vitórias seguidas, trouxeram gente dá pesada para ganhar de mim”, diverte-se contando.

Na Ponte São João tem outra de suas paixões, o Estrela. Quando a camisa do Azulão está atuando no Campeonato Amador, quer sempre saber como foi a equipe. “Tenho camisa aqui. O Estrelinha começou do lado da minha casa. Sempre estou assistindo aos jogos. Sou fã do clube. E, de sexta-feira, a gente sempre almoça em uma churrascaria com a turma do clube”, conta.

Regionais e abertos
O nome de Israel Bernardi também remete a Jogos Regionais e Jogos Abertos. Desde 1961, esteve presente na competição – seja como atleta, técnico, dirigente ou ‘torcedor’ dos atletas da cidade. Ele ficou ausente apenas quando Jundiaí não disputou. “A minha alegria é sempre estar nos Jogos Regionais e Abertos, e lembrar aquela amizade com a turma antiga”, lembra, com sorriso de orelha a orelha.

“Com os jovens, procuro falar que participar da competição é a conquista de quem treina o ano inteiro. É o filé. Um título brasileiro não tem o mesmo peso de um Jogos Abertos e Regionais, porque neles você está levando o nome da cidade”, ensina.

As suas participações renderam uma homenagem recentemente. Foi encarregado de acender a pira olímpica da fase final dos Jogos Estaduais do Idoso, no ginásio do Bolão, sendo ovacionado e aplaudido por todos os presentes.

Hoje bisavô, Israel não desistiu do esporte. Compete nas equipes de natação nos Jogos Regionais do Idoso “Queriam que competisse no atletismo ou na valsa. Mas perguntei o que faltava na natação. Disseram que faltava um atleta na faixa etária de 70 a 75 anos. Falei, eu vou. Competi em Avaré, São João da Boa Vista e Itapetininga e até conquistei mais um par de medalhas”, conta sempre esbanjando felicidade.


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