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“Mandar nudes?”: sexting é assunto a ser abordado pelos pais

JHULLY BAPTISTA | 21/04/2018 | 20:33

Quando alguém pergunta sobre sexting, dificilmente encontrará quem sabe, de fato, responder sobre o assunto. Porém, essa prática tem crescido entre os adolescentes e, segundo pesquisa publicada na revista JAMA Pediatrics, já é identificada também na pré-adolescência (dos 10 a 12 anos). O psicólogo e diretor educacional da SaferNet Brasil, Rodrigo Nejm, explica que sexting é a junção das palavras sex (sexo) + texting (torpedo), ou seja, descreve a troca de mensagens com conteúdo sexual, sejam essas em textos, fotos ou vídeos. No Brasil é mais conhecido como “nudes”. Tal comportamento deve receber total atenção dos pais ou responsáveis, já que pode trazer inúmeras consequências aos envolvidos – a curto e longo prazo.

O mais preocupante no sexting não é a prática em si, mas sim as consequências. Uma vez na rede, o usuário não consegue mais controlar o conteúdo

O mais preocupante no sexting não é a prática em si, mas sim as consequências. Uma vez na rede, o usuário não consegue mais controlar o conteúdo

Para ele, a entrada dos mais jovens neste universo pede que a conversa sobre exposição da intimidade e sexualidade comece desde cedo nas famílias, mas mantendo um diálogo aberto e sem julgamentos. “O pré-adolescente é cheio de dúvidas e, neste momento, é necessário que ele tenha alguém de confiança, que o respeite como indivíduo para orientá-lo. Se o filho se sente acuado em conversar com os pais, vai procurar esse direcionamento na internet, seja em buscadores ou com conhecidos virtuais, ficando vulnerável a erotização precoce e até mesmo a ser vítima de pedófilos”, explica o especialista, que defende a educação sexual como prevenção.

Já com os adolescentes mais velhos, o que mais preocupa em relação ao sexting não é a prática em si, mas sim o que pode acontecer depois. “A partir do momento em que esse tipo de conteúdo cai na rede, não há mais como controlar. Essas imagens podem permanecer anos na internet. Isso significa que depois de anos, os envolvidos ainda podem ser prejudicados numa entrevista de emprego, em um novo relacionamento e possivelmente quando tiverem filhos. Isso também deve ser explorado pelos pais”, explica. É por isso que Luis Eduardo Antunes, de 41 anos, não hesita em dialogar abertamente sobre sexualidade com a filha Rafaela Antunes, de 14 anos. “Nessa idade eles têm a necessidade de se inserir em certos grupos, experimentar coisas novas e isso é bom, desde que feito com consciência. Não imponho a ela o certo e o errado. Procuro provar, com exemplos práticos, que algumas ações são prejudiciais. Assim, ela mesma tira suas próprias conclusões e fica ciente do que cada atitude pode acarretar para vida dela”, conta.

Saiba o que fazer para não ter seu conteúdo vazado

A prática do sexting ainda é tabu e preocupa muito as famílias, porém o psicólogo e diretor educacional da SaferNet Brasil, Rodrigo Nejm, reforça que “não há nada de errado em falar e discutir sobre sexualidade. O erro é não se proteger e não se informar sobre como manter relações saudáveis dentro e fora do ciberespaço”. Sendo assim o Jornal de Jundiaí , com base em informações disponibilizadas pela SeferNet com o objetivo de combater crimes cibernéticos de todas a naturezas, traz algumas dicas de como se prevenir contra o vazamento de conteúdos e como agir caso a Justiça precise ser acionada.

PREVENÇÃO

Se tiver fotos e vídeos no celular que não queira que outras pessoas vejam, desative o serviço de envio automático para nuvem. Provedores, APPs e redes sociais são passíveis de falhas técnicas e de segurança. Evite passar a senha de desbloqueio do seu celular até mesmo para amigos. Não confie em aplicativos que prometem destruir a foto depois do envio, como Snapchat, stories do Instagram e Facebook. Quem recebe sua imagem pode salvá-la e usar contra você. Aliás, não ceda a nehuma pressão para eviar fotos sensuais a alguém. Comunique seus responsáveis. Apague arquivos íntimos, antes de enviar seus aparelhos eletrônicos para assistência técnica.

DENUNCIE

De acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente é crime “Apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente (art.241)”. Para denunciar é essencial salvar e imprimir todo tipo de prova que conseguir: fotos, mensagens, e-mails, áudios. Procure uma Delegacia de Polícia Civil ou, se possível, uma Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos e registre ocorrência do caso. A SaferNet Brasil ainda oferece o serviço de ajuda contra crimes e violações dos Direitos Humanos na internet pelo Helpline. O atendimento é gratuito, feito on-line por psicólogos e totalmente sigiloso – CLIQUE AQUI PARA ACESSAR. Importante ressaltar que qualquer indivíduo, acima de 12 anos, mesmo que com os pais, já responde judicialmente por qualquer crime cometido, inclusive os crimes cibernéticos.


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