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Maria de Nazaré

| 19/10/2014 | 22:56

Outubro é um mês bastante significativo para a Igreja Católica, porque é o mês em que nós brasileiros referenciamos a nossa padroeira, “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. Assim, buscar uma reflexão sobre a importância de Nossa Senhora para o mundo católico neste momento é muito relevante e muito gratificante.

Hoje vivenciamos uma sociedade do conhecimento, de globalização dos mercados e de crise de paradigmas, e no meio dessa confusão de vozes e interesses, existe ainda lugar para a voz meiga da jovem judia que recebeu de seu Filho crucificado a incumbência de ser a Mãe de todos nós. Ela é simplesmente “Maria de Nazaré”.

Quando refletimos sobre Maria de Nazaré e seu papel na construção da nossa Igreja, inevitavelmente nossos pensamentos dirigem-se até a simplicidade de seu lar em Nazaré, onde, no momento da Anunciação, disse SIM perante o Anjo do Senhor com humildade e obediência à mensagem de Deus, apenas pronunciando: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a Tua Palavra” (Lucas 1:38)

Uma das constatações mais relevantes que as Sagradas Escrituras destacam é o Silêncio de Maria, e esse silêncio é pleno, fecundo, participativo, profundo e revelador, porque a mãe de Jesus sempre se manteve atenta aos ensinamentos da Escritura: “Há um tempo de falar e um tempo de calar” (Ecl 3, 7)

Para a mãe de Jesus o Silêncio sempre foi uma constante em sua vida, um silêncio profundo e perscrutador, envolvido pela Fé, embora muitas vezes aceitar e viver a Palavra de Deus em sua vida tenha lhe ocasionado momentos de sofrimento, dúvida, tristeza e solidão, mas permaneceu firme em sua Fé. Por isso o seu Silêncio é de uma grandeza incomensurável, constante em sua vida.

Quando lemos sobre a vida de Maria observamos que o primeiro Silêncio está presente antes da Anunciação: quem era ela? Os Evangelhos não contam nada sobre o passado dela. Já o segundo Silêncio é sobre a dúvida de José e o mistério da Encarnação. No terceiro, encontramos Maria envolvida nos seus afazeres domésticos e na educação de seu filho.

Em momento algum as Escrituras relatam alguma fala sua sobre a infância e a adolescência de seu Filho. O seu quarto Silêncio está presente durante a vida pública de Jesus, somente quebrado durante as bodas de Caná. Mesmo na Cruz ela permaneceu silenciosa, e após a Ascensão de Jesus, surge o quinto Silêncio sobre a vida de Maria, um silêncio profundo e expressivo.

Perguntas surgem: quanto tempo Ela ainda permaneceu entre nós? Onde morou? Como transformou o seu luto? Perguntas sem respostas, somente o Silêncio, um silêncio evangelizador e que nos fortalece na nossa caminhada rumo ao Reino de Deus.

Assim, permaneçamos com Maria, nossa Mãe que nos foi dada pelo seu Filho amado no momento da sua crucificação, porque é através dela que poderemos compreender o espírito da nova evangelização. Decolores.

Iria Pasquini é professora, Mestre em Educação e cursilhista há 30 anos


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