Jundiaí

Medo do coronavírus ronda parte da população que sai às ruas


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Crédito: Reprodução/Internet
A pandemia do coronavírus está tomando as cidades do Brasil e não é diferente por aqui. Jundiaí tem atualmente cinco mortes confirmadas e outras 18 sob investigação, mas o número, aparentemente baixo, se comparado ao da Capital, epicentro do contágio no Brasil, com praticamente 700 mortes confirmadas e mais de mil em análise, faz com que o alerta, forte a princípio, se enfraqueça aos poucos. As saídas sem precisão levam risco às próprias pessoas e também às que estão fora de casa por necessidade. Caso esse do pavimentador Roberto Pereira da Silva, de 52 anos. “Tenho medo de sair. Em casa eu fico mais protegido, mas não tenho escolha, tenho que trabalhar”. Próximos a Silva, no Centro, haviam alguns andarilhos consumindo destilados. Essa população, subnotificada, não conhece os riscos que o coronavírus carrega. Eles contam que não têm medo, pois atribuem à bebida a prevenção à covid-19. “A gente não pega isso não, nós tomamos cachaça”, disse um deles. Zilândia Pereira Silva Lima, de 46 anos, também convive com a necessidade de sair todos os dias, pois trabalha como doméstica em uma casa. “Eu tenho medo por causa da minha mãe, que tem 68 anos, e meu neto. Chego em casa, já tiro a roupa e tomo banho, antes de tudo”, relata ela. O mesmo se repete com a auxiliar de limpeza Maria Marluce Lacerda da Silva, de 36 anos, que trabalha diariamente. “Eu saio porque é preciso. Hoje (ontem) mesmo precisei pegar meu cartão de ônibus. Tenho medo por causa dos meus filhos”, comenta. Dirce Stuário, comerciante de 50 anos, conta que não abre a loja. Vai apenas para buscar os produtos que continua vendendo, mas de casa. “Eu estou com medo, mas tive que trabalhar”, revela. João Carvalho, de 27 anos, também é comerciante e foi até a loja de instrumentos musicais apenas para fazer a manutenção. “Eu estou com um pouco de medo, mas moro em frente à loja. Vim só limpar mesmo”, explica. Aurélio Mendonça Guilherme, de 49 anos, tem uma banca de jornais no Centro, mas o ponto pode ser aberto durante a quarentena. “Eu posso trabalhar, mas não tem público. Está chegando menos jornal e revista também. Os clientes que vêm são os de anos. Medo todo mundo tem. É natural ter medo de uma coisa que você não vê”, lamenta. Para o caminhoneiro Ailton Bernardes, de 56 anos, a falta de serviço tem incomodado muito. Ele faz mudanças e agora teve que pedir o Auxílio Emergencial, de R$ 600, mas por enquanto, o recurso está sob análise. Enquanto isso, trabalha como motorista de aplicativo. “Hoje (ontem) eu fiz bastante corrida, fui até para São Paulo. O pessoal que sai tá certo. Se ficar em casa, fica louco, sem dinheiro”. FILAS Indignada com a fila nos Correios, Lígia West, de 43 anos, reclama da falta de consciência da população. Ela se preocupa com a mãe de 85 anos. “Não sei o que é pior, a doença ou a ignorância. O povo não respeita a distância na fila. Eu estou sendo prejudicada com o isolamento, mas me preocupo mais com a vida”, por conta da mãe idosa. Marcus Lins-Barroso, de 52 anos, é empresário e está em isolamento, mas saiu para ir aos Correios. “Só saio quando realmente é necessário. Chego em casa, sempre lavo as mãos”, diz ele, mesmo admitindo não ter medo. A pequena empresária Lilian Mendes também precisa sair, pois vende produtos pela internet e tem de enviá-los aos consumidores. “É uma faca de dois gumes, a gente tem medo, mas tem que trabalhar”, diz.

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