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Merenda com gostinho de ‘feito em casa’ é a proposta das escolas

SIMONE DE OLIVEIRA | 21/04/2019 | 05:00

Na contramão da proposta do governo do Estado em implantar produtos ultraprocessados na merenda escolar, muitas cidades têm trabalhado para manter no cardápio alimentos naturais. A parceria com empresas fornecedoras desses produtos ou até mesmo a implantação de projetos para conseguir essa matéria-prima é o grande desafio de muitos municípios.
Em Jundiaí e em algumas cidades que fazem parte do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ), a meta é ampliar ainda mais os projetos para que frutas, legumes e verduras continuem no cardápio de crianças e adolescentes. Seguindo o Plano Nacional de Alimentação Escolar, as 150 escolas de Jundiaí, sendo 111 municipais, são beneficiadas com cardápio onde o alimento processado não tem vez.
É o que explica a nutricionista e diretora do Departamento de Alimentação e Nutrição, Maria Ângela Delgado. Ela conta que diariamente as unidades são abastecidas com produtos naturais: além de verduras e legumes a proposta é oferecer uma fruta da estação e, como Jundiaí é ‘agraciada’ com produções importantes, isso fica mais fácil.
“Não queremos apenas fornecer o alimento e fazer com que a criança se acostume com aquele sabor, mas sim mostrar a importância deste alimento para sua vida. Explicar como ele foi plantado, colhido, enfim, para que ela valorize a terra e quem vive nela.”
Ela conta que das 111 unidades municipais, 79 possuem horta em suas dependências. O que é plantado serve como objeto de estudo e também para ser incluído no cardápio, mas a maioria dos produtos é proveniente de várias fontes. O Vale Verde, mantido pela Prefeitura de Jundiaí, uma horta instalada em um espaço de 15 mil metros quadrados, é uma delas. É de lá que saem diariamente produtos para abastecer as unidades. São pelo menos 2,5 mil pés de alface e 50 mil frutas consumidas diariamente. “Temos várias parcerias, inclusive com cooperativas fornecendo frutas e legumes, porém a proposta é cada vez mais inserir projetos que nos ajudem a melhorar ainda mais nossa merenda”, diz Maria Ângela, lembrando das 75 mil refeições servidas diariamente.

Aprovação
E quem pensa que criança não gosta de alface ou tomate no prato de comida se engana. A educação alimentar vai muito além de apenas experimentar um alimento, a questão é educacional. A diretora da Emeb Antonino Messina, Ana Paula Freguglia, diz que o alimento é oferecido na unidade, mas o incentivo deve vir de casa. “A criança só vai saber se gosta de alguma coisa se ela experimentar. E este experimento deve ser feito de uma maneira que ela goste e sinta prazer em comer algo.”
Aos 6 anos, Rafael Souza Moreira diz que não dispensa o alface colocado diariamente na merenda. E em casa não é diferente. “Tudo aqui é muito gostoso. A comida é deliciosa”, diz o pequeno.

PELA REGIÃO
3 Em Várzea Paulista foi adotado “Escola Verde – Use o Sal com Sabedoria – Alimentação Saudável na Escola e na Família”. Trata-se da inclusão de ervas e especiarias na alimentação (coentro, tomilho, açafrão, cebolinha e muitos outros), reduzindo o sódio nas preparações da merenda.
3 Em Itupeva os alimentos in natura são incluídos, como frutas, verduras e legumes. Não há enlatados ou processados.
3 A cidade de Louveira mantém um programa que coloca vegetais frescos na merenda direto dos produtores locais, inclusive com alimentação especial aos alunos que são intolerantes a algum tipo de alimento.
Procuradas, Cabreúva e Campo Limpo Paulista não retornaram até o fechamento desta edição.

MERENDA ESCOLAR SAUDAVEL EMEB ANTONIO MESSINA ISABEL PRADELLA MARTINS


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