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Mesmo em casa, os paratletas não perdem o foco dos treinos

Nathália Sousa | 26/06/2020 | 05:54

O Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas (Peama) forma atletas de alto rendimento para competições nacionais e internacionais, mas, nesta pandemia de coronavírus, os treinos presenciais não podem mais ser realizados e a alternativa encontrada são os treinos em casa, mesmo de forma adaptada.

A treinadora dos paratletas, Thaís Aoki Saito, diz que o Peama começou a repassar os treinos há pelo menos três meses e a quantidade de atividades depende da disponibilidade de cada um. “Eles podem fazer os treinamentos de três a sete vezes na semana, sendo um dos treinos uma atividade mais lúdica, um desafio ou algo diferente, como cozinhar, por exemplo”, comenta.

Sobre o esforço dedicado pelos atletas nos treinos, Thaís conta que no momento não há tanta cobrança. “A intensidade é de leve a moderada. Não passamos treinos muito desgastantes, pois o objetivo é manter eles saudáveis e se exercitando. Exercícios muito intensos diminuem a imunidade, que é o oposto do desejado.”

Para quem está em casa, cada novo desafio é importante. É o caso de Thomaz Ruan de Moraes, de 18 anos, que será o representante de Jundiaí nos 400 m de atletismo na paralimpíada de Tóquio, em agosto de 2021. Ele tem se dedicado durante o isolamento, mesmo sem competições importantes marcadas para este ano. “Não participar de competições é ruim porque a gente precisa ter ritmo de prova. Mesmo classificado, se você não estiver preparado para correr no dia, isso não muda nada. Eu acredito que quando voltarem os treinamentos eu vou recuperar o meu rendimento. Talvez eu até fique melhor e mais forte por causa do tempo que a gente tem”, diz otimista.

Aos 17 anos, Cristian Westemaier Ribeira, atleta de ski e atletismo com cadeira de rodas, tem se esforçado em sua casa, mesmo adaptando o espaço. “Eu faço ski e tive que adaptar o treino usando elástico. Eu uso o rolo para cadeira de rodas para treinar o atletismo e já estou assim há três meses. Todo esporte tem que ter uma rotina de treinos e com estes não é diferente”, diz ele.

Wesley Vinícius dos Santos, de 22 anos, treina atletismo, natação e roller ski no Peama e comenta sobre o rendimento sem poder fazer treinos convencionais e competir. “Eu acho que afeta porque há diferenças. Não tem como ser igual. Acho que pode perder rendimento, perde força, mas é possível recuperar em alguns meses na volta”, diz ele.

ESFORÇO
Além de enviar as recomendações para os atletas que estão em casa, a treinadora Thais pede vídeos para que façam as correções necessárias. “Estamos fazendo algumas aulas on-line e deveremos aliar com os presenciais na volta. Provavelmente terá um período de readaptação aos treinos unindo pista, piscina e musculação para não corrermos o risco deles se lesionarem. Nosso objetivo é preparar o atleta para ter seu melhor desempenho, mas também zelar pela sua integridade”, adianta.

O diretor do Departamento de Esporte Adaptado da Unidade de Gestão de Esporte e Lazer (UGEL) de Jundiaí, César Munir, reforça que, além dos treinos, o Peama oferece equipamentos para os atletas cadeirantes. “Essas cadeiras podem ser usadas em rolos para treinos em casa. Eles podem usar esses rolos que o Peama emprestou e a Thaís passa os treinos. Mas é lógico que a qualidade do treino é diferente”, conta.


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