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Moradores criticam especulação imobiliária no Jardim Brasil

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 26/01/2019 | 05:05

O uso do solo e o acesso viário no Jardim Brasil está dividindo os moradores do bairro. Depois que o Jornal de Jundiaí publicou matéria nesta terça (22) sobre um grupo que quer permitir comércios de baixo impacto nas ruas internas do bairro, outro conjunto de moradores se manifestou contra a medida. Para Marcel Grinzati Martins, Lancaster Dutra e Marisa Fleury, os moradores que desejam permitir comércios não estão pensando em seus vizinhos, mas na especulação imobiliária. “Existem sim pessoas interessadas em comprar imóveis para morar aqui, mas o preço de mercado é inevitavelmente menor que o comercial”, diz Marisa.

Enquanto um grupo argumenta que o avanço comercial na área é inevitável, o outro afirma que é possível – e necessário – preservar polos residenciais em meio aos comércios para revitalizar a cidade, preservar o verde local e manter a segurança. “Se tudo vira comércio, o bairro fica abandonado depois das 18h e o bairro fica inseguro, como acontece no Centro hoje em dia”, opina Lancaster.

Marcel argumenta, ainda, que o Plano Diretor de uma cidade não deve acompanhar as demandas comerciais, mas sim disciplinar seu avanço. “A opinião dos moradores deveria contar mais que a dos proprietários de imóveis vazios”, afirma.
Marisa ainda lembra que um prédio comercial foi recentemente construído na av. Henrique Andrés, uma das vias que cerca o bairro. “Além do prédio ter sido aprovado sem um estudo de impacto de vizinhança e nenhuma contrapartida, é um local que hoje tem muitas salas vazias”, diz. “Não tem porque abrir nosso bairro para comércio se tem um prédio cheio de salas à disposição logo ali”.

Um questionário foi distribuído pela Prefeitura de Jundiaí a todos os proprietários de lotes no bairro para saber a opinião da população local sobre o uso do solo e a reabertura de duas ruas locais que tiveram o acesso restringido em 2015. A enquete, porém, também preocupa o grupo de residentes. “O questionário foi entregue em época de férias e muitos moradores idosos não têm como sair de suas casas para levar as respostas até a prefeitura. Se o quórum de respostas for baixo, essa minoria é quem vai decidir o futuro de 150 moradores?”, questiona Marcel. “Isso já foi longamente debatido durante a elaboração do Plano Diretor nos anos anteriores. O assunto já estava encerrado”.

“Já consultamos um advogado e, se a quantidade de questionários que chegarem não representar 50% mais um dos moradores, ele é inválido”, diz Lancaster, afirmando que o grupo está disposto a judicializar o conflito, se necessário.
O gestor da Unidade de Planejamento Urbano de Meio Ambiente (UGPUMA), Sinésio Scarabello, garante que a intenção é tomar decisões junto com a maioria. “Se recebermos uma quantidade muito baixa de respostas, vamos voltar ao bairro e insistir com os moradores. Todas essas precauções estão sendo tomadas”, afirma. Sinésio ainda lembra que a gestão está de portas abertas e pode receber o grupo contrário, caso queiram agendar uma reunião. “Assim fez o outro grupo, que nos abordou com uma petição de 30 assinaturas e solicitou a reunião.”

Arquivo JJ

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