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Morte de grávida é um alerta sobre a chegada das arboviroses

SIMONE DE OLIVEIRA | 10/09/2019 | 05:02

A morte de uma grávida de 44 anos no final de semana com suspeita de dengue, febre maculosa ou leptospirose – doenças que seguem sob investigação de sorologia – é um sinal de que alguns vírus e infecções, em especial as arboviroses, estão aparecendo mais cedo. E a mudança de clima pode ser uma das causas.
A paciente internada no HU estava com 34 semanas de gestação apresentando sintomas de febre, alterações nas funções hepáticas e renais, e insuficiência respiratória. Na ocasião os médicos a trataram com sintomas típicos de febre maculosa e leptospirose (contato com a urina de ratos infectados), mas a previsão é que em 30 dias o laudo sobre as causas seja apresentado.

Para o infecto-pediatra, professor-titular da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) e responsável pelo ambulatório do Zika vírus, Saulo Duarte Passos, toda grávida deve ficar atenta a alguns sintomas, principalmente a partir da 30ª semana. Período em que elas são muito vulneráveis a certas doenças, em especial a dengue e chikungunya. Corpo vermelho e febre significam urgência na procura médica.

“O atendimento da paciente deve ser sempre com urgência. Utilizar o que chamamos de ‘kit beleza’, que é o repelente e o preservativo, é o ideal para a mulher se proteger. Todo cuidado é pouco para preservar da mãe e a crianças de qualquer infecção”, lembra.

Mesmo que o período de aparecimento das doenças ocorra no auge do verão, ele lembra que os ovos com as larvas do mosquito Aedes aegypti já estão colocados em vários lugares e assim que os dias quentes foram intensificados os mosquitos começarão a aparecer. “O cuidado para a eliminação do foco deve ser em qualquer lugar e a qualquer momento”, comenta o especialista.

SEM REGISTROS
Em nota, a Vigilância Epidemiológica (VE) informa que não há casos confirmados ou morte causados por febre maculosa ou leptospirose em 2019 e que o caso da gestante será analisado e as ações de investigação para a arbovirose foram tomadas imediatamente.

A notificação sobre as demais doenças foi recebida ontem (9) e também fará parte da análise, entre elas, um estudo dos hábitos e de circulação da gestante.

A partir dessas informações serão feitas vistorias e, constatada a ocorrência de carrapato, medidas de controle serão orientadas. As amostras para exames laboratoriais do caso suspeito foram colhidas para três doenças: dengue, leptospirose e febre maculosa. Os mesmos foram encaminhados ao Instituto Adolfo Lutz. Vale lembrar que os resultados de sorologias demoram tempo variável.

A unidade reforça que a chegada dos dias quentes e a possibilidade de chuvas ampliam os riscos para dengue e leptospirose. A primeira depende da ocorrência de criadouros de mosquitos Aedes aegypti, diretamente ligado à organização e cuidado do espaço das residências em não acumular material que possa servir de criadouro do mosquito. Já a leptospirose é transmitida pelas fezes e urina de ratos.

Em nota o HU informou que a moradora do Vista Alegre foi internada no dia 2 de setembro e, no decorrer dos dias, o quadro evoluiu para uma piora vindo a óbito três dias depois.

Ela apresentou ‘quadro infeccioso inespecífico’ e por isso foi coletado vários exames, porém o resultado segue sob investigação, conforme protocolo do município.

 


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