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Mortes por covid no AUJ aumentam 21% em nove dias

KÁTIA APPOLINÁRIO | 10/07/2020 | 11:08

O número de mortes causadas por coronavírus teve um aumento de 21% no Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) nos últimos nove dias, o que corresponde a 66 mortes em pouco mais de uma semana.

Desse total, 45 óbitos foram de munícipes locais, o que implica em um crescimento de 24% em Jundiaí. No total, a cidade contabiliza 4.856 casos confirmados, sendo 228 vidas perdidas pela doença. De acordo com as estatísticas atualizadas diariamente pela Prefeitura de Jundiaí, 39,65% dos que faleceram por coronavírus apresentavam doenças cardiovasculares.

Segundo o cirurgião cardiovascular responsável pelo Centro de Cardiologia do Hospital São Vicente (HSV), Luiz Carlos Bettiati, de 47 anos, por si só as doenças cardiovasculares já são um grande fator de risco à vida. “Pessoas com esse tipo de doença já possuem o sistema fragilizado e, ao adquirirem o coronavírus, complicações podem ser facilmente desencadeadas”, diz.

Ele afirma que na maioria das vezes, os problemas cardiovasculares podem surgir após a contração da covid-19. “Se o paciente já possuir a doença de forma incipiente, ao contrair o vírus, que é uma infecção agressiva, outras enfermidades podem se desenvolver”, explica, ressaltando inclusive que isso pode interferir no laudo do óbito do paciente.

Ao lado das comorbidades, a idade elevada também é um fator que contribui para as mortes por covid-19. Em Jundiaí, 78% das vítimas são idosas, ou seja, 178 possuem mais de 60 anos, sendo que a faixa etária mais atingida na cidade é entre os 70 e 79 anos.

“Isso acontece porque os idosos não possuem a mesma reserva funcional que os jovens.

Quando envelhecemos, nossos órgãos também envelhecem junto e com isso não realizam suas funções com tanta perfeição”, explica Bettiati.

DIAS FRIOS
Existe uma dúvida a respeito da influência do clima no desenvolvimento e aquisição do coronavírus. Para o infectologista do Hospital São Vicente, Danilo Duarte, não há como dizer se as mudanças climáticas interferem no contágio. “Ainda que as temperaturas mais baixas contribuam para o aumento da mucosa nasal e oral e deixe nossa imunidade mais fragilizada, não é algo significativo a ponto de podermos alegar que este é o fator responsável pelo aumento das mortes desencadeadas pela doença, até porque não sabemos se a covid-19 se comporta como os demais vírus”, diz o especialista.

Mesmo assim, Duarte ressalta a importância de manter o ambiente sempre bem arejado, principalmente nos casos em que há o convívio de pessoas que possuem outras doenças respiratórias, como asma e bronquite. “Independente do fator imunológico, é importante manter o ambiente umidificado”, acentua.

Independente do clima local, da idade ou do histórico de saúde de cada um, até agora o isolamento social é um dos principais fatores para o controle do vírus. “Enquanto não temos uma vacina, precisamos continuar com todos os cuidados de higiene e mais do que isso, permanecer em casa para que o contágio possa ser contido”, ressaltar Duarte.


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