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Motoristas de aplicativo trabalham mais horas para compensar prejuízo

KÁTIA APPOLINÁRIO | 04/06/2020 | 05:00

Mesmo com a flexibilização do isolamento social, as corridas via aplicativo não voltaram a seu volume convencional e para compensar o prejuízo e a queda da demanda, alguns motoristas viram no aumento da carga horária uma oportunidade.

O jovem Áquila Armando Correia, de 28 anos, começou a trabalhar como motorista de aplicativo há cinco meses, quando foi dispensado da empresa em que trabalhava. “Eu senti uma queda de 20 a 30% desde a primeira quinzena de março. Para compensar estou trabalhando mais. Agora fico rodando por dia de 10h a 12 horas”, compartilha.

Mesmo com a reabertura dos centros comerciais, tanto no comércio de rua quanto nos shoppings, ele alega que já pode notar indícios de que o cenário irá melhorar. “Acredito que a tendência é só aumentar a demanda até porque as pessoas ainda não se sentem totalmente seguras para utilizar o transporte público.”

Quem também tem trabalhado por mais horas é o motorista Francisco Veríssimo de Abreu. “No início da quarentena, algumas empresas ainda pagavam as corridas para seus funcionários, mas agora com a retomada essa demanda também deixou de existir. Estou trabalhando mais porque esta é minha forma de lidar com essa escassez”, explica Abreu há dois anos como motorista de aplicativo.

Ele acredita que trabalhar horas a mais é sinônimo de se expor ao risco da doença durante um período maior. “Sempre utilizamos máscaras e seguimos as medidas de segurança, mas nunca sabemos por onde esteve o passageiro ou mesmo se ele é um dos infectados assintomáticos”, declara Abreu.

Ele diz ainda que sente falta dos ‘tempos de ouro’ das corridas de aplicativo. “Antes de toda essa crise eu fazia em média de 30 a 35 viagens por dia. Agora estou fazendo aproximadamente 20 corridas diariamente. Parece pouco, mas quando vamos somar os lucros, a diferença fica evidente”, conta.

Se alguns calculam os lucros pelo número de viagens, há também quem contabilize a quilometragem percorrida. É o que conta o motorista Davi Geraldo Carboniro, de 60 anos. “No começo deste ano eu fazia em média de 180 a 230 quilômetros por dia, mas desde março isso caiu bastante. Agora minha média é de aproximadamente 100 quilômetros, chutando alto”, ressalta.

Em algumas cidades vizinhas, o comércio ainda não retomou suas atividades, motivo pelo qual muitos motoristas têm optado a se deslocarem de suas cidades para exercer a função. “É opção para lucrar um pouco mais nesse período de crise. Conheço muitos motoristas que aderiram à ideia”, reitera Davi, que é de Campinas e que faz parte do grupo.

Procurada, a empresa Uber afirma que os dados gerais sobre o número de viagens realizadas pelos motoristas cadastrados não podem ser divulgados, mas que segue orientando para que todos os cuidados de higiene sejam mantidos, bem como o reforço por parte dos motoristas para que os passageiros utilizem máscaras sempre durante a viagem.


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