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Mudança em edital motiva debandada de blocos de rua pequenos

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI. | 07/02/2019 | 05:04

Pela primeira vez desde que foram criados, os blocos Carne com Queijo, que desfila na Vila Progresso, o Bloco do Loki e o Órfãos do Fígado, tradicionais do Vianelo, não vão participar do Carnaval de rua este ano. As mudanças no edital de inscrição, divulgado pela prefeitura no último dia 25 de janeiro, foram um dos principais motivadores.

Henrique Parra Parra Filho, um dos organizadores do Carne com Queijo, afirma que o edital deste ano foi divulgado em cima da hora, deixando pouco tempo para que os blocos se organizem, e que a Prefeitura de Jundiaí não envolveu os organizadores na elaboração das normas, o que teria resolvido boa parte dos problemas.

Para ele, as mudanças foram pensadas para blocos grandes, que realizam parcerias comerciais e não contemplam blocos de bairro pequenos. Parra se preocupa, principalmente, com a exigência de que os organizadores se responsabilizem pelo atendimento hospitalar e a segurança dos blocos. “No Carnaval de rua você não tem controle sobre quem vem ou quem fica, é complicado e temerário se sentir o único responsável num evento com essas características”, confessa.

Ele conta que o poder público sempre ajudou a evitar conflitos gerados pelos pancadões de funk e pessoas que não dispersam dos blocos. “Algumas pessoas não tem a ver com nossa proposta, mas aparecem com seus carros hiperequipados, bebidas e até drogas, e se aproveitam da ocasião para fazer sua própria festa”, explica.

“Elas não respeitam a autoridade dos organizadores dos blocos e a ajuda da Polícia Militar e da Guarda Municipal são essenciais nestes casos”, afirma. Agora que a prefeitura não deixa claro se dará esse tipo de suporte, o Carne com Queijo se sente inseguro de participar da folia. “É uma pena, pois o conflito poderia ser resolvido com diálogo”, lamenta.

O Bloco do Loki também não concorda em ser responsabilizado pela segurança. “As responsabilidades tem que ser divididas de acordo com as realidades de cada um”, revela William Sanches Grilo, um dos organizadores. Para ele, a prefeitura está burocratizando cada vez mais o Carnaval e desrespeitando a tradição da festa. “Estão transformando o Carnaval de rua em outra coisa que não é a cultura carnavalesca”, diz. Em comunicado na página do Facebook, o bloco Órfãos do fígado diz que não participará por dificuldades financeiras e pelo falecimento de uma amiga próxima aos foliões do bloco.

Em nota, a Prefeitura de Jundiaí diz que o edital tomou como modelo os últimos dois anos e a organização de outras prefeituras, que também compartilham as responsabilidades com os organizadores de blocos, inclusive no que diz respeito à segurança dos foliões e garantia de eventual necessidade de atendimento e socorro médicos. A administração ainda diz que as contrapartidas mudam de acordo com o número de participantes de cada bloco, mas que há um mínimo de contrapartidas exigido que independe do tamanho.

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