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Mulheres procuram motoristas do mesmo gênero para transporte seguro

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 12/02/2019 | 05:05

No dia 18 de janeiro, Fernanda* (nome alterado) saiu com as amigas para uma casa de shows noturna em Jundiaí e na hora de voltar para casa, de madrugada, solicitou um serviço de transporte por aplicativo, sozinha. Durante o caminho, o motorista olhou repetidas vezes pelo retrovisor, fez algumas perguntas invasivas e elogios incômodos.

No domingo (20), ela registrou boletim de ocorrência por estupro contra o condutor do veículo, que foi preso no dia 22 e solto logo em seguida. Casos como esse levam cada vez mais mulheres a pensarem duas vezes antes de solicitar um carro pelos serviços de celular, uma vez que ainda não é possível escolher o gênero do motorista.

Por isso, muitas condutoras também fazem corridas particulares para atender este público. Clarisse Nascimento, 51 anos, começou a atuar com aplicativos de transporte há quase dois anos, mas faz muitas corridas particulares para mulheres jundiaienses.  Para ela, a situação vale a pena tanto para a motorista quanto para a passageira. “O cliente paga o mesmo valor do aplicativo, mas eu não tenho que ceder o percentual da empresa e minha margem é maior”, explica.

Ela conta que tem clientes de todos os tipos. “São mães que querem que eu leve os filhos para algum lugar, senhoras, jovens, adolescentes. Tem de tudo”, conta. Em comum, todas elas têm o medo de serem assediadas por motoristas homens, gênero que domina a profissão, seja nos aplicativos, nos táxis ou nas corridas particulares.

Segundo dados coletados pelo Femitáxi, aplicativo de transporte que oferece apenas motoristas mulheres para passageiras mulheres (que ainda não funciona em Jundiaí), elas representam apenas 10% das motoristas, enquanto são 48% das usuárias. O levantamento diz, ainda, que 56% preferem fazer corridas com motoristas mulheres.

As próprias condutoras também preferem clientes do sexo feminino. Outra pesquisa da empresa revela que 75% das motoristas se sentem inseguras em transportar homens à noite e 68,6% já recusaram corridas de homens por medo de serem assediadas. Isso porque 47,9 delas afirmaram já terem sofrido algum tipo de assédio enquanto trabalhavam.

De olho nas mães
Pensando em um público mais específico, as mães, Érika Andreoni criou o “Carrinho de Mãe”, um serviço para levar as crianças até a escola, aula de inglês, natação, etc. “Sou mãe de duas crianças, sempre trabalhei e nem sempre tinha como ir buscá-los em determinado horário”, conta ela, sobre como teve a ideia do negócio.

A grande vantagem é que Érika pode assumir corridas com horário marcado, o que uma motorista de aplicativo não tem condições de fazer, já que precisa estar disponível para as chamadas do serviço online. A disponibilidade, porém, encarece o serviço, deixando a corrida mais salgada do que seria por aplicativo ou a contratação de uma perua, por exemplo. “Mesmo assim, a gente ouve falar muita coisa dos aplicativos e mesmo dos perueiros. Minhas clientes não confiam nos meios convencionais”, diz.

SERVICO DE MOTORISTA PARTICULAR UBER PARA MULHER E CRIANCA ERIKA ROSSI ANDREONI


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