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Mulheres se unem para rede de auxílio

MARIANA CHECONI | 18/08/2019 | 11:30

Ser mulher nos dias atuais significa resistência. Em um mundo onde os homens sempre foram os protagonistas, cada vez mais as mulheres estão conseguindo seus espaços. Contudo, isso não ocorreu do dia para a noite e nem sem luta. Foi preciso muito esforço para garantir alguns direitos, hoje considerados comuns.

Mesmo assim, ainda há muito a ser conquistado e para isso, tanto mulheres, como homens, precisam se ajudar. Em Jundiaí, existe um local onde o principal objetivo é esse. Unir e acolher mulheres de todos os tipos, cores, raças, religiões, orientação sexual e vivência.

A Casa Arauá, em Iorubá, língua africana, “feita por nós”, foi fundada em 2016 por duas mulheres que possuíam o sonho de ter um espaço que reunisse outras mulheres com suas atividades e projetos pessoais. Começou como uma casa pequena, onde apenas eram realizadas as atividades. Há pouco mais de um ano, a casa cresceu e se tornou também um local de residência, onde o coletivo é o mais importante.

Fundadora da Casa, Mariliz Mazzoni Magaton Bento, conta que o local se tornou um espaço coletivo de trabalho e residência. “Acredito que temos cerca de 30 mulheres ligadas à Casa que frequentam e desenvolvem projetos aqui. Desde cursos a vivências e atividades de autoconhecimento, tudo é voltado para mulheres. A Casa é uma proposta para que a gente possa viver em coletivo, desenvolver nossos projetos, viver nossos afetos e fortalecermos umas as outras”, explica.

É importante ressaltar que a Casa não é local para moradia. Ela acolhe mulheres que queiram expor seus projetos e ideias ou que desejam participar das atividades oferecidas, mas não é um abrigo, pois o local não possui estrutura para isso. Atualmente a Casa possui 4 moradoras que são responsáveis pela manutenção e organização das atividades realizadas.

Atividades

Além de oferecer cursos, a Casa gera muitas oportunidades para mulheres que assim como Gláucia Candido da Silva desejam doar um pouco do tempo para atender outras mulheres. Ela conta que faz massagem relaxante chinesa e atende no local há cerca de 8 meses.

“Me envolvi com a Casa quando fui fazer esse curso de massagem. Quando concluí, elas me ofereceram um espaço para atender depois no Dia Terapêutico, que acontece um sábado por mês com diversos tipos de atendimento à preços populares. Desde então estou ligada à Casa que, para mim é um lugar que possui muitas energias boas, onde a mulher se sente valorizada, amada, respeitada e empoderada. Sempre me sinto muito bem lá”, conta.

E não é só massagens relaxantes e cursos que a casa oferece. São diversas opções de atividades. Algumas regulares e outras que ocorrem pontualmente. Todas sem sugestão em calendários mensais divulgados nas redes sociais da Casa Arauá.

“Entre os trabalhos que realizamos estão cursos de autoconhecimento e ginecologia natural. Além disso terapias, massagens, leitura de mapa astral, aulas de defesa pessoal, aulas de violão e tatuagens. Uma vez por mês fazemos um evento onde o foco é a visibilidade da cultura local, que tem participação de uma roda de samba feminina. A Casa Arauá também é responsável pela principal formação de doulas da cidade, estamos indo para a 5a formação”, conta Marília.

Algumas atividades são gratuitas e abertas ao público em geral, outras são cobradas um valor, que é completamente utilizado nas despesas da Casa.

Acima de qualquer atividade realizada, a Casa Arauá tem como objetivo ser um lugar onde todas as mulheres consigam se sentir seguras, confortáveis e acolhidas. Residente da Casa, Camila Mendes de Godoi é uma mulher trans. Dá aulas de violão e de defesa pessoal no espaço e fala sobre a importância de um local como esse, não só para sua vida, como para a luta das mulheres.

“Nós estamos ligadas a uma rede de mulheres. Sempre participamos de eventos de visibilidade lésbica, o que é muito importante, pois somos três morando na casa. Além disso, para mim, a casa trouxe uma grande vivência. Aprender a viver em comunidade, ter senso coletivo, criar vínculos, respeitar e cuidar uma da outra. Respeitar e cuidar da Casa. Foram coisas que vou levar como aprendizado”, conta Camila.

A Casa Arauá é um espaço de resistência feminista.

“É muito importante para nós que Jundiaí seja a primeira cidade a receber uma casa inteira feita por mulheres. Nós fazemos parte do circuito de casas culturais como a Casa Amarela e o Casarão, mas a única protagonizada por mulheres é a Casa Arauá. Marcamos um espaço completamente feito por nós. É muito importante para que nos sintamos acolhidas, seguras e caminhando juntas a uma sociedade justa e igualitária”, ressalta Mariliz.


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