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Na educação, o futuro de Jundiaí

ARIADNE GATTOLINI | 14/12/2019 | 08:55

O prefeito de Jundiaí Luiz Fernando Machado (PSDB) fez a sua lição de casa. Depois de colocar as finanças de Jundiaí em ordem, ele tem a missão de potencializar a qualidade dos serviços que chegam ao cidadão. Ao município, que está no topo dos principais rankings de cidades desenvolvidas e com boa qualidade de vida no Brasil, é permitido sonhar com a Jundiaí 2050, com obstáculos já vencidos, como 100% de esgoto tratado, Rio Jundiaí despoluído, abastecimento de água para todos os domicílios, educação de qualidade e saúde que conta com o maior hospital da Região. Os sonhos que cabem a este prefeito incluem prioritariamente a educação como alavanca de preparo ao mercado tecnológico e acesso à saúde integral. Nesta entrevista, concedida antes de seu embarque para a Holanda, convidado pela Fundação Bernard Van Leer, para mostrar as políticas públicas de Jundiaí para a primeira infância, Luiz estava visivelmente emocionado pelo reconhecimento que coloca a cidade como amigável ao crescimento de seus futuros cidadãos.

Jundiaí sempre contou com uma boa rede de ensino, mas percebemos que há novos projetos, voltados principalmente ao futuro globalizado deste cidadão. Como é essa visão?
A educação precisa ser tratada diante dos desafios de seu tempo. Jundiaí sempre teve uma boa rede de ensino, mas nós tratamos de preparar uma ponte com o futuro, que já começou. Implantamos o programa Escola Inovadora, com creche de qualidade e aulas de inglês desde os quatro anos; aumentamos o Vale Verde, que garante verduras orgânicas à merenda escolar, que ficou muito mais nutritiva. Nossos professores têm avançado com um projeto pedagógico que conta com o desenvolvimento das habilidades emocionais dos nossos alunos, aulas de empreendedorismo, educação financeira, além de contar com um laboratório de projetos do tipo FabLab, conectado com outros no mundo. Entendo que uma cidade boa para as crianças é boa para todos e tenho orgulho por ser o primeiro município do estado a integrar a Rede Latino-Americana de Cidade das Crianças. Os filhos de Jundiaí têm uma boa vantagem para construir o seu caminho e se preparar para o futuro.

Mas você encontrou escolas sucateadas na estrutura física. Conseguiu resolver o problema?
Avançamos, mas ainda tem muito por fazer. Fizemos o que era emergencial e que estava a ponto de cair e, aos poucos, vamos recuperando o que é necessário, de acordo com nosso orçamento. O exemplo está aqui na Emeb Joaquim Candelário de Freitas, na Vila Hortolândia (o prefeito tem uma tela a sua frente, que mostra a obra em tempo real). Os pais e alunos decidiram o projeto arquitetônico, opinaram sobre o prédio e acompanham também sua execução em tempo real por meio de uma câmera instalada na obra. O prédio da escola será sustentável, com água de reúso, energia fotovoltaica, iluminação natural, quadra poliesportiva e o pátio será integrado à praça que fica no terreno ao lado. Gostaria de ter recursos para fazer obras de reformas em todas as escolas, porque algumas ainda estão ruins ou em condições físicas inadequadas, mas estamos agindo com responsabilidade. Atacamos as prioridades e, gradativamente, vamos avançando. Mas não abrimos mão da qualidade do ensino, apesar das condições físicas precisarem de melhorias.

Mas na saúde não era diferente. O HSV estava em péssimas condições físicas, a equipe médica fazia boletins de ocorrência para denunciar a lotação e as más condições de atendimento, com medo de perder pacientes, sem contar que até salários estavam atrasados. Como conseguiu mudar essa condição?
A saúde ganhou status de prioridade desde o primeiro dia do nosso governo. O legado que estamos deixando no São Vicente é muito maior do que as obras que estamos executando. A sociedade jundiaiense assumiu o hospital como um de seus principais patrimônios e eu duvido que um político, no futuro, vá fazer uso deste que é o equipamento de saúde mais importante da região. Hoje há mais de cem voluntários no HSV e o senso de pertencimento é enorme. Ele estava quebrado financeiramente. Alguém no governo anterior tentou trazer uma organização social de Cubatão para gerir o hospital, colocando em risco sua integridade. Instalamos um gabinete de crise, assim que chegamos, para priorizar as medidas de gestão. Além das reformas estruturais, os colaboradores estão satisfeitos em trabalhar ali, têm orgulho do que fazem. Estamos executando um conjunto de reformas no prédio centenário do hospital, na ortopedia, na oncologia, trocando o sistema elétrico etc. O projeto “Acolha um Quarto, Conforte Vidas” é a cereja do bolo desta revitalização. Estamos tocando a obra com cuidado, prevendo acessibilidade para todos e reconstruindo as calçadas. Em breve, estaremos integrando o quarteirão do hospital à Praça das Rosas, com a construção de uma alameda com bancos e mesas para os acompanhantes e familiares dos pacientes. Em uma das visitas que fiz ao hospital, entrei na enfermaria e vi uma moça abanando a mãe. Pedi ao superintendente o ar-condicionado, mas ele me disse que não havia suporte do sistema elétrico. Por isso, mudamos todo o sistema e até o ano que vem todos os quartos terão ar-condicionado. O hospital é outro hoje, com gestão profissional, e ainda temos uma contribuição grande para dar nestes próximos 14 meses.

Mas a mudança não foi somente no HSV. Há avanços significativos no Vetor Oeste e na rede municipal de saúde.
A rede municipal de saúde está passando por melhorias, de acordo com nosso orçamento. Herdamos quatro UPAs (Unidades de Pronto-Atendimento) com as obras paradas e sem previsão de recursos para acabar. Priorizamos os recursos e entregamos a primeira UPA no Vetor Oeste em dezembro de 2018. E implantamos a primeira Clínica da Família no Jardim Novo Horizonte, que já recebeu o Prêmio Inovacidade por ser uma inovação na área da saúde. Realmente, quebramos paradigmas ali, levando atendimento resolutivo e de qualidade aos moradores do Vetor Oeste, que será expandido para outras regiões da cidade. Vamos agora dar início às obras de conclusão das UPAs da Vila Hortolândia e da Ponte São João. A da Vila Progresso será transformada numa grande central de ambulatórios e ficará para 2021. Estaremos entregando no início do próximo ano duas Novas UBSs, no Jardim do Lago e no Jundiaí-Mirim, além das reformas das UBSs Agapeama, São Camilo, Santa Gertrudes, Morada das Vinhas, entre outras.

Entretanto, quero ressaltar que ainda temos pendências. Estamos contratando cerca de 30 mil consultas com médicos especialistas, para tirar as pessoas da espera e zerar as filas. Além disso, estamos planejando ações para valorizar os médicos que atuam nas Unidades Básicas de Saúde e melhorar o plano de carreiras deles, assim que superarmos essa crise.

Outro assunto polêmico é segurança pública. Como é lidar com a sensação de insegurança do cidadão?
Temos mais de 200 câmeras, boa parte delas com leitor automático de placas, monitorando a cidade 24 horas por dia. Nossa central de monitoramento compartilha imagens com as polícias, para coibir furtos e roubos. Trabalho integrado, que melhora os resultados.  Desenvolvemos aplicativos para acionamento rápido da GM e aumentamos o seu efetivo, que conta com cerca de 350 homens e mulheres patrulhando as ruas e bairros da cidade. Além disso, a sociedade está fazendo o seu papel, através da vigilância solidária.

Implantamos a Patrulha Maria da Penha, que está fazendo um trabalho importante para coibir a violência doméstica e atuamos nas escolas. Fizemos um planejamento para os próximos três anos em questões de segurança para a cidade. Serão investidos mais de R$ 30 milhões de recursos captados junto ao BNDES, em ações de inteligência, de expansão das câmeras de vigilância para os seguintes bairros: Vila Comercial, Vila Maringá, Santa Gertrudes, Eloy Chaves e outros; construção de uma central de urgência e emergência na av. 14 de Dezembro para a GM, Samu e Defesa Civil e de uma inspetoria e canil, na região oeste da cidade, além de novas viaturas e armamentos. Além disso, estamos levando políticas públicas e investimentos sociais para bairros com altos índices de vulnerabilidade.

O transporte público é nevrálgico? Como pretende resolver isso?
Mobilidade é um grande desafio no Brasil. O transporte coletivo vem perdendo passageiros para outras modalidades de transportes e o trânsito caótico nos horários de pico, que torna as viagens mais demoradas, são fatores que explicam em parte esses movimentos. O sistema de transporte precisa ser tão eficiente quanto o transporte por aplicativo, pois hoje as pessoas comparam os serviços, o custo, e, principalmente, o tempo que levam para se deslocar ao ponto desejado. Quando os terminais foram concebidos, na década de 2000, eles atendiam a um modelo. Hoje, este modelo precisa de ajustes para que possamos reorganizar as linhas e atender às intenções de viagens dos passageiros de todas as regiões da cidade. O Plano Municipal de Mobilidade, que estamos contratando, trará esse diagnóstico de futuro. Temos feito linhas expressas, que não passam pelo terminal, para atender às demandas dos usuários que moram nos bairros mais afastados. Nos últimos doze meses, treinamos os motoristas, colocamos 80 ônibus zero quilômetro no sistema – a maior renovação de frota num governo, com wi-fi, câmeras de segurança e com toda tecnologia de ponta para oferecer mais opções de pagamento para o usuário. Jundiaí foi a primeira cidade brasileira a adotar o sistema contactless, que está evoluindo para o pagamento via QR Code, sem o uso de dinheiro no sistema. O recapeamento que estamos fazendo nas principais vias da cidade também irá ajudar no deslocamento mais rápido do transporte coletivo.

Apesar de ter de enfrentar questões estruturais, seu governo está preparando a cidade do futuro. Como foi encarar este desafio?
Estamos investindo em inovação e tecnologia de ponta na cidade e trabalhando para internacionalizar Jundiaí e atrair mais investimentos. A Cijun está concluindo a instalação de 370 quilômetros de redes de fibra ótica por toda a cidade, levando internet de alta velocidade às UBSs, hospitais, escolas, teatros, museus. Estamos construindo um ecossistema de inovação, para atrair startups, empresas e empregos para o jundiaiense. Isso tem um efeito enorme para o futuro, em produtividade e competitividade. Em breve teremos o reconhecimento facial ajudando a identificar os nossos alunos na entrada da escola e os pacientes na UBS, por exemplo, e a inteligência artificial na prestação de serviços ao cidadão. Hoje, a Jundiaí tradicional caminha a passos firmes rumo à cidade digital, inteligente e repleta de oportunidades de crescimento, aliando qualidade de vida e desenvolvimento. O nosso governo atua, desde o início, com responsabilidade, planejamento e transparência para construir um futuro seguro para Jundiaí, mantendo o orgulho que temos por morar em uma das melhores cidades do Brasil.


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