Jundiaí

Na educação, racismo é debatido com programas


PRECONCEITO RACIAL FERNANDA MENDES
Crédito: Reprodução/Internet
Em meio a tantas manifestações antirracistas que tomam as ruas das grandes capitais do Brasil, a discussão também ganha espaço nas salas de aula. Nas escolas estaduais, o governo utiliza do Programa Conviva-SP que visa identificar vulnerabilidades de cada unidade escolar para a implementação do Método de Melhoria de Convivência (MMC), além de atrelar ações proativas de segurança. Já na rede municipal de ensino, a Unidade de Gestão de Educação (UGE) informou, em nota, que o tema é tratado em todas as aulas, não somente com o cunho de preconceito racial, mas como outros aspectos. No cotidiano, as situações observadas pelos educadores são avaliadas e apresentadas para a turma, em roda de conversa, de forma a trabalhar os sentimentos. Embora atentos à questão, seja na rede pública do estado ou municipal, não se sabe ao certo quantos casos de racismo acontecem diariamente no ambiente escolar. Fato é que no Brasil, de acordo com a Lei 7.716/89, o racismo é considerado crime inafiançável com pena de reclusão de um a três anos e multa. Para a professora de História e Geografia do Estado, Fernanda Mendes, a questão do racismo dentro da escola vai além. "Quando eu abordo a escravidão dentro da minha disciplina é difícil para um aluno negro manter este vínculo com seus ancestrais", exemplifica. A professora ressalta que é muito presente o racismo em suas diferentes formas de expressão. A população pobre negra é a que mais sofre as conseqüências desta realidade. "As condições sociais desta população, em número significativo, se constituí principalmente do grupo de negros. Os brancos de condições sociais menos privilegiadas não sofrem tantas represálias quanto os negros pobres", declara. Apesar de tudo, ela enxerga avanço na discussão sobre o racismo. "Se compararmos com tempos passados, estamos sendo ouvidos e isso é de suma importância", diz. O RACISMO DE CADA DIA Não é só no ambiente escolar que o racismo cresce e aparece. Para o representante do Circulo Palmarino, Vanderlei Victorino (BA), o racismo está em todo lugar e não é de hoje. “O racismo não é vitimismo. O racismo mata. O que estamos assistindo é uma política de extermínio contra uma juventude negra. Para confirmar sua tese, BA busca um exemplo no seu cotidiano recente, quando alega ter sofrido discriminação. “Fui ao mercado de máscara, a fim de me proteger no novo coronavírus, quando percebi que o segurança começou a me seguir. A perseguição só parou quando decidi gravar a atitude que me constrangeu. Mas porque eu? Porque sou negro, estava de máscara, sou forte?”, questiona. BA, que já respondeu pela Coordenadoria de Promoção da Igualdade Social, acredita que a pandemia deve escancarar ainda mais os casos de racismo. “Se antes a polícia atirava primeiro e depois perguntava quem era agora vão invadir as comunidades e alegar que a máscara dificultou a identificação do negro que usava máscara. Quantos Miguel e João Vitor ainda teremos que ver assassinados pelo preconceito racial”, conclui. DESEMPENHO As práticas sutis de racismo existentes contra os alunos prejudica a mobilidade educacional e social de crianças e jovens negros. Esse é o principal argumento da pesquisa "Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade", resultado de um convênio entre o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, e a Unesco. Coordenado pelas sociólogas Mary Garcia Castro e Miriam Abramovay, a pesquisa combina técnicas qualitativas, como entrevistas, grupos focais e observações em sala de aula, com análises quantitativas tais como os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Realizado nas cidades de São Paulo, Porto Alegre e no Distrito Federal, o estudo é abrangente e focaliza crianças, alunos das últimas séries do ensino fundamental e do ensino médio, assim como pais, professores, diretores e funcionários de 25 escolas particulares e públicas. Existe um desempenho escolar desigual entre alunos brancos e negros, que é maior entre ricos do que entre pobres, aponta a pesquisa.

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