Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Nem sempre repor vitamina D é a única opção: sol é fundamental

MARIANA CHECONI | 21/04/2019 | 05:01

Vitaminas são substâncias fundamentais para o bom funcionamento do organismo, apesar disso elas não são produzidas naturalmente. Para garantir que o corpo funcione corretamente, é importante que as pessoas consumam alimentos ricos nessas substâncias e, no caso da vitamina D, se expor ao sol diariamente. Especialista alerta que nem todas as pessoas precisam de reposição via suplementos.
Ao contrário das outras vitaminas, a vitamina D é a única que não é obtida somente pela alimentação. Segundo o hematologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Helio Loterio, apenas 10% da necessidade do organismo vem de alimentos. Entre eles estão ovos, peixes e fígado de boi. O sol é responsável por os outros 90%. “A vitamina D é um pouco diferente das demais. O corpo produz um precursor chamado pró-vitamina D. Na pele, ele se transforma em vitamina D sob ação da radiação ultravioleta do sol”, explica.
Por esse motivo, a exposição ao sol durante alguns minutos por dia é essencial para que essa vitamina trabalhe para evitar algumas doenças. “O ideal é tomar sol de 10 a 20 minutos por dia evitando o horário das 11h às 15h. Os braços e pernas devem estar descobertos e sem protetor solar. Uma boa caminhada pela manhã ou no fim da tarde é o melhor jeito de prevenir a deficiência da vitamina”, afirma.
A falta dessa substância no organismo pode causar diversos problemas como raquitismo, alterações no crescimento e no sistema imunológico e ainda problemas na gestação e no desenvolvimento fetal.

Grupo DE RISCO
A deficiência de vitamina D é mais comum em pessoas com pele escura, pois elas produzem mais melanina (proteína que dá cor à pele, olhos e cabelo). A melanina filtra a radiação, dificultando a absorção dos raios ultravioletas do sol no organismo. Outro fator, comum hoje em dia, que leva à deficiência dessa vitamina é a pouca exposição ao sol. Helio explica que atualmente as pessoas deixam de fazer atividades ao ar livre. “Hoje muita gente trabalha o dia inteiro em ambientes fechados, sem se expor ao sol. As crianças cada vez mais cedo preferem brincar dentro de casa. A tecnologia, como computadores, televisores, celulares e tablets são prejudiciais nesse sentido e contribuíram para o aumento do número de pessoas com dosagens diminuídas de vitamina D no sangue”, explica Helio.
A jundiaiense Lais Spiandorim, 30 anos, conta que desde os 19 precisa repor a vitamina D por meio de remédios. “Precisei iniciar o tratamento depois que comecei a trabalhar em lugares fechados, sem contato com a luz solar o dia inteiro. Além disso, como eu não gosto de sol, o pouco tempo que fico é com muito protetor solar e isso gerou uma deficiência dessa vitamina”, explica. Lais afirma que, quando mais jovem, só identificava a ausência da vitamina através dos exames de rotina. Agora, os primeiros sintomas já surgiram. “Com o tempo, eu comecei a reparar que sentia fadiga, uma fraqueza fora do comum em atividades do dia a dia. Isso continua até hoje, quando tomo direitinho a vitamina D não tenho esses sintomas”, relata.
Apesar dessa alternativa via medicamentos, o hematologista alerta que é necessário ter moderação. “O conceito popular e comercial de que é necessário suplemento alimentar e vitamínico para todas as pessoas é perigoso. O excesso faz mal. É preciso saber dosar. Por isso, o ideal é o método natural. Exposição diária ao sol por alguns minutos”, explica.

VITAMINA D LAIS SPIANDORIN


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/nem-sempre-repor-vitamina-d-e-a-unica-opcao-sol-e-fundamental/
Desenvolvido por CIJUN