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No Dia da Mulher, 18 ocorrências de importunação sexual em Jundiaí

ISABELA CRISTÓFARO E ARIADNE GATTOLINI | 08/03/2019 | 05:01

Sancionada em setembro de 2018, a lei de importunação sexual já gerou 18 boletins de ocorrência em Jundiaí até fevereiro, com vítimas ainda adolescentes a mulheres de até 50 anos. A campanha foi intensificada durante o Carnaval, com a hashtag #NãoÉNão, quando muitas foliãs relataram episódios durante a passagem dos blocos. Em uma cidade em que o número de registros de violência contra a mulher chegou a 221 em janeiro de 2019, com aumento de 56,7% de ocorrências de um ano para o outro, a nova lei é um avanço.
A estudante de medicina veterinária, Samanta Camargo, passa o Carnaval em Jundiaí todo ano, no entanto, em 2019 foi importunada sexualmente. “Estava com minhas amigas no bloco da Ponte Torta. Dois homens chegaram e tentaram beijar à força, minha boca e de uma amiga que estava do lado. Nós negamos e ainda ficaram bravos com a gente. Eles acham que só pelo fato de estarmos lá é um convite para agir dessa forma”, desabafa.
Para a psicanalista Margareth Arilha, defensora dos direitos das mulheres, “há uma estranheza, muitas vezes, sobre essa possibilidade da mulher ter uma opinião e de não aceitar determinada situação”.
Lucas Grandotto, advogado criminalista, esclarece os aspectos penais mais duros. “A nova lei trouxe uma mudança significativa na pena aplicada ao delinquente, que anteriormente determinado pelo art. 61 da Lei de Contravenções Penais previa uma penalidade apenas de multa, passando-se agora para uma pena de um a cinco anos de reclusão”, diz.
Segundo as advogadas Nathália de Maria e Giovanna Fatica, o peso da nova lei é uma evolução. “A lei de Importunação Sexual foi fundamental e trata de grande avanço ao respeito às mulheres, para que não tratem estas questões de forma moralista e machista, conforme ainda têm acontecido. É um marco importante, como as leis Maria da Penha e do Feminicídio”, completam.
A delegada de Defesa da Mulher de Jundiaí, Renata Yumi Ono, afirma que tais crimes acontecem em transporte coletivos, em condomínios residenciais, no local de trabalho e até na via pública.
“Após o registro do boletim de ocorrência, a vítima é ouvida em declarações, instaura-se o inquérito policial, e, a depender do caso concreto, deflagra-se novas diligências, tais como depoimento de testemunhas, diligências em campo para averiguar a existência de câmeras e outros elementos para identificar o autor (já que na grande maioria, o agressor é desconhecido).
As vítimas podem fazer suas denúncias através do 180 ou na própria DDM, na avenida 9 de Julho, 3600.

DOUTORA RENATA YUMI ONO  DELEGADA DA DELAGACIA DA MULHER DDM


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