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No Dia dos Pais, homenagem a quem divide a educação dos filhos

ANGELO AUGUSTO, MARIANA CHECONI E SIMONE DE OLIVEIRA | 11/08/2019 | 05:00

Na geração atual, os pais atuam de forma igualitária na educação dos filhos. Eles querem dividir as tarefas do dia a dia e ter voz ativa na forma como vão conviver e orientar os rebentos. O JJ foi buscar exemplos de pais que, de uma forma ou de outra, assumem às vezes o papel da maternagem, ou por falta da mãe ou quando elas se ausentam para viajar. A verdade é que estes pais dão conta do recado e aprenderam a graça divina: não há amor maior do que estar perto dos filhos diariamente e aplaudir suas pequenas conquistas.

Após a morte da mãe, meninas recebem proteção total do pai

Mais que receber presentes e abraços, muitos pais neste dia irão ganhar o reconhecimento e a gratidão de seus filhos, em especial quando eles se tornam ‘pães’, pai e mãe ao mesmo tempo. Muitos são exemplos daqueles que precisaram assumir os dois papéis depois da morte da mãe de seus filhos. Assim foi com o agente de apoio socioeducativo William Pelegrino, de 41 anos.

Viúvo há 1,8 ano, o pai das meninas Ayla (15 anos) e Ariadne (7 anos) sabe exatamente como tem sido este papel. “No início foi tudo muito complicado. Fiquei perdido, sem chão. Perdi a mulher que escolhi estar do meu lado a vida toda, mas com o tempo as coisas foram se ajeitando.”

Ele conta que teve ajuda de várias pessoas, inclusive de sua sogra e de amigos, para poder ‘ajeitar’ a vida e sua casa, mas relata que a parte mais difícil foi ajudar as meninas a entenderem a morte da mãe.“Essa parte foi muito difícil. Ayla já tinha 13 anos na época, entendeu o que aconteceu, porém lidou com a situação de forma muito madura, mas por outro lado explicar a morte para uma criança de 5 anos não é tarefa simples. Eu expliquei a situação de uma forma que ela entendesse, mas às vezes ela chora pela falta da mãe e aí temos que nos apoiar.”

Como a mais velha está entrando na fase da adolescência, William sabe que terá que vivenciar questões mais complicadas, típicas da fase, mas diz estar preparado para ajudá-la no que for preciso. “O que posso dizer é que sou abençoado porque são meninas muito educadas, carinhosas e alegres. A questão da adolescência é uma novidade a cada dia. Por enquanto não tenho problemas com esse lance de namorados, até porque ela não demonstrou interesse ainda, porém acredito que posso lidar tranquilamente com essa questão.”

Questionado como tem sido esta experiência de ser ‘pãe’, William é tranquilo e sereno para dizer ‘estou conseguindo’. “Está sendo uma experiência maravilhosa. Claro que preferia as coisas como eram antes, mas não dá pra mudar o passado. Tem seus momentos difíceis, obviamente, mas os bons momentos sempre superam.”

A correria faz parte da rotina da família, mas administrar o tempo para conseguir trabalhar, cuidar das meninas, levá-las para passear, ir ao médico e à escola tem sido o desafio. “Às vezes fico um pouco sobrecarregado, mas no final tudo dá certo. O mais importante é estar com elas e tentar ser um bom exemplo e claro manter sempre viva a memória da mãe”, relata.

Aos 15 anos, Ayla ajuda William a cuidar da mais nova: parceria integral

Como ele mesmo diz, Ariadne se tornou ainda mais seu grude: amor eterno

Ele não ‘ajuda’, tem as mesmas responsabilidades

Foi-se o tempo que as mulheres ficavam em casa cuidando dos filhos enquanto o homem saía para trabalhar. Hoje em dia, homens e mulheres dividem igualmente as responsabilidades de casa e da criação dos filhos. O veterinário Carlos Alberto Geraldo Junior, 40 anos, é exemplo disso. Participa ativamente da criação de seu filho, Henrique Fleming Geraldo, 3 anos.

“Minha esposa sempre trabalhou fora e isso não mudou após o nascimento do nosso filho. Ela continua com a rotina de trabalho e seguindo em sua carreira profissional normalmente”, conta. Por conta de sua profissão e de possuir negócio próprio, acaba tendo uma maior flexibilidade e sempre está na cidade. “Sou médico veterinário, tenho minha clínica de gatos em Jundiaí e, quando minha esposa precisa viajar, eu continuo exercendo minhas atividades profissionais normalmente e tento de uma forma natural, realizar todas as obrigações que temos no dia a dia dele”, conta.

Carlos acredita que a participação do pai é muito importante para o filho “Sempre foi algo muito natural para mim, pois penso que é muito importante para a criança ter a participação do pai em todas as atividades do cotidiano. Além disso, me faz muito bem acompanhar o desenvolvimento dele. Faço questão de estar presente sempre, pois é algo muito prazeroso”, conta.

‘Ajuda’
Todo mundo já ouviu a frase “Ele é um bom pai, ‘ajuda’ a mãe nas tarefas e educação do filho.” Mesmo sendo comum, ela possui um grande problema. ‘Ajudar’ significa fazer um favor para alguém, e na criação de um filho, o pai e a mãe têm as mesmas responsabilidades. Carlos sabe bem disso. Nunca concordou com esse conceito de ajudante. “Pai tem que ser pai e não ajudante da mãe. Sempre quis ter um filho para exercer efetivamente essa função e participar da vida, das atividades, da educação e do cotidiano dele. Nunca quis ter um filho para deixar a mãe cuidando e ‘ajudar’ apenas quando necessário”, afirma o veterinário.

Apesar de toda a responsabilidade, para Carlos ser pai é a maior emoção que já sentiu. “Com certeza é a missão mais difícil que já recebi na vida, pois nos traz muitas preocupações, dúvidas e noites mal dormidas, porém não tem nada mais emocionante do que compartilhar e acompanhar o desenvolvimento de um filho. Os filhos se espelham muito nos pais, portanto procuro dar a ele os melhores exemplos”, conta.

Carlos Geraldo fica com o filho, Henrique Geraldo, enquanto a mãe viaja

“Não basta ser pai, tem que participar.” E muito

O pai Arthur Duarte Begiato, especialista em Tecnologia da Informação (T.I), de 39 anos, é um pai que participa intensamente da criação da filha Cecília, de um ano e quatro meses. Para ele, o homem tem o mesmo nível de responsabilidade que a mãe na educação ds filhos. “Quando se trata da nossa filha, a palavra ajuda não existe. O homem tem que fazer a sua parte mesmo. É uma correria, mas é igual para ela e para mim” comenta.

”No começo ela me agradecia pelas coisas que eu fazia e eu achava engraçado. Mas não tem o que agradecer, é uma obrigação do marido também. Desde quando a Sandrine ficou grávida eu já sabia que eu ia ter que me desdobrar e que não seria fácil. Eu não tinha a ilusão de que iria ser fácil. Inclusive o primeiro banho dela fui em que dei.” relata Arthur.

Tanto ele quanto a esposa Sandrine trabalham fora em horário comercial e passam mais tempo com a filha nas primeiras horas do dia, e à noite. Enquanto os dois estão no trabalho, Cecília fica em uma escolinha particular, em tempo integral. Eles optaram por não deixar a menina com alguém da família.

O pai conta também que, para ter um filho, é preciso ter muita certeza, pois ser pai é algo que exige muito trabalho e disposição, 100% do tempo. “Se você está em dúvida sobre ser pai ou não, não seja. Senão nem vale a pena. É muito difícil criar um filho e a prioridade é sempre ela. E isso não é uma questão de escolha, é porque não tem outro jeito mesmo. Tudo o que a gente faz é pensando nela.”

Arthur concorda que os tempos mudaram e atualmente não existe mais essa tradição de que a mãe fica em casa cuidando dos filhos enquanto o pai trabalha. “A minha mãe às vezes comenta sobre o fato de a Sandrine trabalhar, pois para ela isso não é tão normal assim. Mas o mundo mudou, né. Nesse geração, o homem que não é assim no dia a dia está vivendo no passado. Eu fui criado pela minha mãe, que ficava em casa, mas isso não existe mais” completa.

O pai de primeira viagem confessa que os primeiros dias foram difíceis, mas que hoje já está “craque” em coisas como dar banho, trocar fralda etc. “No começo foi bem difícil sim, eu pedia ajuda para a Sandrine toda hora. Você não sabe dar banho, não sabe por quê ela está chorando e etc. Mas hoje eu já faço tudo sozinho. Em 20 minutos eu dou banho e troco. Só a cor das roupas que eu nunca acerto”, revela.

Arthur Begiato, aos 39 anos, participa ativamente da criação da filha Cecília

 

 


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