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No Hospital Universitário, 300 partos realizados por mês

DA REDAÇÃO | 14/12/2019 | 06:01

Em 16 anos de funcionamento, o Hospital Universitário (HU) contabiliza mais de 58 mil partos. Por mês, são 300 novas vidas trazidas ao mundo pela unidade hospitalar, destas 80% de residentes da cidade de Jundiaí e 20% dos municípios da região.
Os números confirmam a participação relevante do HU em uma conquista recente da saúde local que atingiu a menor taxa de mortalidade infantil de toda a sua história. De acordo com a Fundação Seade, do Governo do Estado de São Paulo – em 2018, foram registradas 7,23 mortes até um ano de idade em cada mil nascidos vivos. A redução, em relação a 2017, foi de 31,46%, quando o índice era de 10,55.

Vale ressaltar que os números de Jundiaí vão na contramão do Brasil, que, em 2018, registrou alta na taxa de mortalidade, um aumento de 4,8% em relação ao último levantamento (14 mortos a cada mil nascidos vivos).

De acordo com a supervisora de enfermagem, Leslie Zonho, o salto para a redução mortalidade infantil está atrelado a diversos fatores, sendo o parto humanizado um dos principais deles. “O contato pele a pele realizado entre mãe e bebê favorece o estímulo com a flora materna, fazendo com que o recém-nascido adquira a sua própria identidade imunológica, reforçada com o início precoce da amamentação através de fatores presentes no colostro”, explica ela.

Em todo o país, pouco mais de 600 maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) aderiram à Rede Cegonha, estratégia lançada em 2011 pelo governo federal para proporcionar às mulheres saúde, qualidade de vida e bem-estar durante a gestação, parto, pós-parto e o desenvolvimento da criança até os dois primeiros anos de vida. O HU é habilitado pelo programa, além de ter sido, neste ano, considerado apto a receber o selo de Hospital Amigo da Criança, conferido pelo Ministério da Saúde aos hospitais que cumprem os 10 passos para o sucesso do aleitamento materno.

Na parte estrutural, o HU tem sido alvo de uma série de investimentos nos últimos anos. A UTI foi reformada para dobrar a sua capacidade para 20 leitos, número superior à quantidade de leitos do Hospital da Unicamp.

Partos prematuros

O HU dedica atendimento diferenciado à crianças prematuras, além de ofertar projetos diferenciados para trazer apoio e conforto aos familiares.

A incubadora é aquecida e umidificada, com pouca luminosidade e quase sem ruídos para simular o ambiente do útero materno e promover o crescimento e desenvolvimento do recém-nascido prematuro. Os bebês também contam com suporte respiratório e nutricional. No total são 48 profissionais da área assistencial envolvidos no dia a dia da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Maria de Jesus Santos Abreu, 38 anos, que ficou com sua pequena Helloá Santos de Abreu internada dois meses na Neonatal, conta sobre o período de luta para a recuperação da bebê, amenizado, segundo ela, pela dedicação dos profissionais do hospital. “Sou muito agradecida a tudo o que foi feito para fortalecer a minha filha. Saí do hospital com ela nos meus braços e certa de que os profissionais trabalham muito bem e fazem o melhor pelas crianças. São verdadeiros anjos”, disse a mãe.

Difícil encontrar um jundiaiense que não tenha circulado pelo grande labirinto de corredores e salas do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). Exatos 117 anos depois, comemorados no próximo dia 20 de dezembro, quem entra no hospital visualiza um ambiente novo, resultado do projeto “Acolha um Quarto, Conforte Vidas”, viabilizado a partir de uma força-tarefa entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil.

O grande propósito é revitalizar os 72 quartos e banheiros dos hospital, 21 deles com reformas já concluídas pelo projeto. A ação foi orçada, inicialmente, em R$ 7,1 milhões. A primeira ajuda veio das arquitetas do grupo “Um tijolo por dia”, que doaram o projeto, sobre o qual foi possível desenhar todo o investimento necessário. Em seguida, parceiros institucionais, como Roca, Duratex, Deca e Astra abraçaram a causa, com doações expressivas em produtos. A partir deste aporte financeiro, o valor do projeto ficou em R$ 6 milhões.

Empresas, pessoas físicas, colaboradores, médicos, pacientes e até ex-residentes têm se empenhado para levantar os recursos necessários. Somam-se ao “Acolha um Quarto” outras 100 intervenções estruturais executadas nos últimos dois anos no espaço de saúde. “O São Vicente está instalado em um prédio de 117 anos, o que torna necessária a atenção à parte estrutural, que tem reflexo direto na qualidade do atendimento prestado às pessoas. A Prefeitura de Jundiaí custeia quase 80% do valor necessário para o funcionamento do HSV, com quase R$ 200 milhões por ano. O projeto com a parceria da iniciativa privada é uma forma de retribuir o serviço prestado por um hospital”, explica Matheus Gomes, superintendente.

A primeira ala concluída, na Clínica Feminina, teve nove de seus 13 quartos entregues à população em setembro. “Estive no São Vicente por muitas vezes por conta da minha diabetes. Agora, depois desta reforma, percebo uma grande diferença da estrutura. Os quartos estão fantásticos, não parece que estamos em um hospital, parece que estou na sala de casa por conta do conforto e da televisão”, conta a paciente Elisabete Benedito dos Santos, 65 anos.

Obras continuam
Para garantir a captação de recursos para o projeto, o HSV tem tido amplo apoio da Prefeitura de Jundiaí, por meio da Rede Jundiaí de Cooperação, que tem acesso aos empresários da cidade.  Atualmente, 55% dos 72 quartos são considerados acolhidos, com doações já efetivadas e algumas já programadas. A meta é que até dezembro de 2020, os quartos estejam 100% concluídos.

O investimento é acompanhado pela Comissão de Acompanhamento Financeiro do projeto, criada em junho, composta pelos voluntários Ernesto Angelo Pieroni Filho, Sidney Munarin e José Carlos Polo. Todos possuem larga experiência em finanças e têm a missão de acompanhar, avaliar e elaborar relatórios referentes a todas as doações e investimentos realizados dentro do projeto.

 


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